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O Meio Ambiente, O Negócio e a Suécia PDF Imprimir E-mail
(4 votos)
Escrito por Rafael Francisco Antoniolli   
07-Ago-2008

O FYI foi até o velho continente para contar um pouco sobre um modelo de gestão inovador quando falamos de meio ambiente. Quem atualmente não se preocupa com aumento do consumo em relação aos recursos naturais que dispomos?

Pois bem, vamos lá. Além de loiras lindas, a Suécia possui provavelmente o melhor projeto de desenvolvimento sustentável do mundo. A ironia? Tudo começou aqui, na ECO 1992!

Para começar, a sugestão deste artigo veio de uma leitora FYI que mora justamente na Suécia. Segue o comentário de Heloisa Oderich a respeito do tratamento do lixo:

“Aqui na Suécia a energia térmica obtida via a queima do lixo representa 5% da energia consumida pela cidade onde moro! Os suecos são tri ecológicos, ao invés de entupir aterros todos os habitantes selecionam em torno de 10 tipos diferentes de lixo e levam para as estações de reciclagem. O lixo do dia a dia é separado em 2 sacos, um de orgânicos e outro de lixo queimável (sobra do que não pode ser separado), e recolhido 1 vez por semana. Os caminhões de lixo funcionam com gás gerado pelo lixo, e há projetos até de utilização de gás gerado pela fermentação do excremento humano. Aqui, lixo dá lucro !

A gente optou por recolher o lixo queimável uma vez a cada 2 semanas (reduz a taxa que pagamos), pois as embalagens aqui são feitas para gerar o mínimo de lixo possível, e mesmo assim o nosso saco de lixo não enche, imagina só...”

Fiquei impressionado e com uma confessa ponta de inveja com a disciplina dos suecos em torno deste tema. Decidi, a partir deste relato da leitora, pesquisar a fundo e descobrir como que isso efetivamente funciona. Cheguei no Natur Vards Verket – Agência Sueca de Proteção ao Meio Ambiente.

O site é em inglês, porém recomendo que acessem. É uma verdadeira aula sobre sustentabilidade.

O país nórdico identificou uma oportunidade a partir de um trecho emitido na conferência da ONU realizada no Rio de Janeiro em 1992.

 

“Mudanças significativas nos padrões de consumo e produção não ocorrerão num futuro próximo sem que haja um estímulo de preços nos mercados. Esse fato fará os produtores e consumidores perceberem os reais custos financeiros do meio-ambiente em consumo de energia, recursos naturais e geração de resíduos”.

Resumindo, o que a Suécia percebeu é que as corporações e indivíduos não agem racionalmente para proteger o meio ambiente. Sendo assim, imaginemos hipoteticamente uma criança que pensa que jamais vai se resfriar até que pega uma gripe. Nós, enquanto sociedade, também instintivamente pensamos assim – até pegarmos a temida gripe da destruição do meio ambiente.

Então, qual a saída? O bolso.

Mas, diferentemente da nossa Lei da Tolerância Zero do Álcool, o projeto em torno do desenvolvimento sustentável na Suécia vai muito além de uma simples taxação de impostos para quem consome.

Os “tipos de instrumentos” utilizados para encorajar a população a adotar práticas sustentáveis são bem claros – todos em acordo com uma legislação criada especificamente para o tema:

• Instrumentos Legais;
• Instrumentos Econômicos;
• Instrumentos Informativos;
• Plano de Infra-Estrutura.

Voltando ao comentário da Heloisa, o recado do governo sueco é bem sucinto para sua população. As taxas são usadas como uma maneira de influenciar o consumo e reduzir o impacto ambiental.

 

Os recursos arrecadados são aplicados substancialmente em infra-estrutura, matrizes energéticas e gestão de resíduos. Há, também, abatimento de impostos para quem produz com “menos” e faz durar “mais”.

Para exemplificar, um dado oficial do governo mostra que o volume de lixo doméstico destinado aos aterros sanitários decresceu de 1.380.000 ton em 1994 para 226.000 ton em 2006.

Há muito mais informação para colocar para o leitor FYI. Isso é assunto para 3, 4 ou até 5 posts. Porém, a mensagem que eu quero deixar aqui é que realmente agora entendo o que a Heloisa quis dizer para nós.

A utilização dos instrumentos mencionados faz toda a população perceber e mudar seu hábito. Eu colaboro e o governo me dá algo em troca, seja na isenção do imposto como no financiamento da minha produção “sustentável”.

Tudo isso com projeto, objetivos definidos e controle rigoroso de resultados.


 

Quero agradecer a nossa nova "correspondente internacional" Heloisa em nome da equipe FYI. Obrigado!


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Comentarios (3)Add Comment
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escrito por Claudia Chow, setembro 04, 2008
Tem uma pós de sustentabilidade na Suécia q gostaria muito de fazer, depois desse relato acho q realmente vale a pena!
...
escrito por Leinad, agosto 11, 2008
Muito bom teu artigo Rafael.

Aliás tens um faro excelente para artigos interessantes.
...
escrito por Pedro Martins, agosto 11, 2008
Rafael, interessante o seu artigo.
A observação de outros modelos de desenvolvimento sustentável no mundo é bastante válida, principalmente no caso da Europa onde os recursos naturais são muito excassos quando comparados ao nosso continente.

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