O grupo dos 7 países mais ricos do mundo mais a Rússia estiveram reunidos do dia 7 ao dia 9 de julho discutindo o futuro da humanidade na sala da justiça nas cidades de Hokkaido e Toyako, Japão. Na pauta, os chefes de estado tinham a missão de encontrar alternativas que contenham a alta dos preços das commodities agrícolas e de ações que possam preservar o meio-ambiente e o futuro das próximas gerações.
Para quem não sabe, o G8 foi proposto pela primeira vez em 1975 pelo então presidente francês Valéry Giscard d’Estain. A idéia inicial do grupo, formado primeiramente por França, Reino Unido, Alemanha Ocidental, Itália, Estados Unidos e Japão, era discutir e encontrar soluções para a época, quando o mundo via o preço do petróleo disparar e criar a grande crise do petróleo durante os anos 70. As reuniões do grupo passaram a ser anuais e tiverem no ano seguinte a inclusão do Canadá e ao final da Guerra Fria a inclusão da Rússia no grupo.
Apesar do preço do petróleo estar alcançando topos históricos de 140 dólares o barril, as reuniões do G8 tiveram outros destaques. Em menor grau, um dos assuntos foi a disparada nos preços das commodities agrícolas que está gerando uma crise mundial dos alimentos e fazendo o mundo inteiro se preocupar com a escalada da inflação e o repasse dos preços na economia. Num escopo maior, o assunto mais debatido da reunião do G8 foi sobre o clima. O símbolo adotado para a reunião deste ano (foto acima) foi uma árvore brotando de um mundo escrito G8, como se os países do G8 defendessem uma causa verde há muito tempo.
Um estudo realizado pelo grupo WWF and Allianz chamado G8 Climate Scoreboard mostrou que os países do G8 estão bem atrás das suas metas ambientais. O estudo avaliou quesitos como eficiência energética, energia renovável e mercado de carbono e mostrou que os países do G8 não estão adotando as medidas necessárias para alcançar as metas estabelecidas para a redução da emissão de dióxido de carbono. Os EUA ganhou a disputa do país mais poluidor do G8, o que não é surpresa para nós que sabemos que o esforço que o presidente George W. Bush faz em prol do meio-ambiente é patético. Na lista negra do relatório Canadá e Rússia também estão incluídos e, de uma maneira ainda insatisfatória, Reino Unido, Alemanha e França são os países que apresentaram os melhores resultados.
Do encontro do grupo no Japão, sempre cercado por muitos protestos, ficou acertado que o grupo irá trabalhar para reduzir pela metade a emissão global de gases que causam o efeito estufa até o ano de 2050. O ano de 2050 me parece um pouco longe... infelizmente essas reuniões não causam ações imediatas e eficientes que realmente colaborem com o meio-ambiente e, infelizmente, China e Índia, que também são grandes emissores de gases que aumentam o efeito estufa, sequer aderiram a meta da redução dos gases do efeito estufa até 2050.
Vale lembrar que as metas estabelecidas no Protocolo de Kyoto valem até 2012, ano em que deve ser estabelecidas novas metas mais agressivas. Os EUA foi o único país que não assinou o tratato em 1997, e espero que no próximo tratado, já com um novo presidente, os EUA saiba da sua importância em colaborar para o bem do clima da Terra.
Para encerrar, repito aqui as palavras de Daniel Mittler, consultor político da ONG Greenpeace Internacional:
"Isso é apenas o resultado de um homem do petróleo impedindo pela última vez o mundo de avançar, e a única boa notícia é que esta será a última cúpula do G8 do Bush."