Sustentabilidade
O Brasil e a Competição Responsável | O Brasil e a Competição Responsável |
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| Escrito por Rafael Francisco Antoniolli | |
| 09-Abr-2008 | |
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Recentemente a consultoria inglesa AccountAbility divulgou o "Índice da Competição Responsável - 2007”. Este relatório classifica os países em um ranking que tem por objetivo privilegiar o crescimento econômico acompanhado do bem estar social e proteção do meio ambiente. É interessante o comentário a respeito da colocação do Brasil e quais critérios foram utilizados na construção deste relatório. Trazendo para a iniciativa privada, o conceito da competição responsável seria apontar as organizações que alcançam o “melhor” lucro, ou seja, aquelas que geram valor econômico para seus acionistas e o menor custo ambiental e social para a sua comunidade. Na elaboração do relatório, a consultoria avaliou os países em três categorias: ação empresarial, impulsionadores de políticas e habilitadores sociais. "Ação empresarial" compreende medidas relacionadas a gestão e práticas de governança corporativa, por exemplo: certificações ISO, treinamento de pessoas e programas sustentáveis. "Impulsionadores de políticas" trata das relações regulatórias do país, ou seja, políticas públicas que incentivam práticas empresariais responsáveis como incentivos fiscais, condições de emprego e leis ambientais. "Habilitadores sociais" aborda o ambiente político e o impacto sócio ambiental nas relações entre empresas, governos e outras organizações. Seria o mesmo que avaliar a corrupção, liberdade de imprensa, quantidade de ONGs ou a poluição dos centros urbanos. A maior parte dos dados foram extraídos de órgãos internacionais representativos, como World Economic Forum (WEF) e International Institute for Management Development (IMD). Ao cruzar as informações, constatou-se que os chamados BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China – ocupam posições intermediárias. Por que isto? Os quatro emergentes apresentam – em intensidades diferentes – problemas que comumente pensamos ser ligados somente a nossa realidade no Brasil, como corrupção, saúde, educação, concentração de renda, gasto público e burocracia. Nosso país ficou na posição 56 dentre 108 classificados. Quando falamos especificamente no Brasil, o relatório é taxativo em dizer que o grande desafio do país neste momento é superar a gastança pública, alta tributação e dispositivos legais muito complexos. Acho que somente nos últimos anos após o controle da inflação que começamos realmente a pensar nosso país em uma perspectiva de longo prazo, envolvendo as questões das reformas. Digo não somente na visão de controlar os gastos, mas sim saber onde gastar. A Índia tem a melhor mão-de-obra do mundo no que tange a prestação de serviços em tecnologia da informação. Por que será? Educação, meus amigos. Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, fez um comentário muito pertinente sobre os desafios da competição responsável quando perguntado sobre o tema. Acho válida a reflexão dos leitores ao fim deste texto: “No planejamento das ações de longo prazo, precisaremos considerar três aspectos. O primeiro diz respeito a limites no padrão de crescimento, baseado no consumo de massa. O segundo aspecto é o movimento da concentração de riquezas, intensificado pela fusão de grandes corporações. Hoje, o Brasil tem cinco empresas no grupo das 500 maiores do mundo, todas elas baseadas na velha economia – mineração, petróleo, etc. É importante pensar quais empresas queremos ter no futuro, pois a maior parte das inovações está relacionada ä atividade empresarial. Por fim, temos que considerar as mudanças da sociedade com o trabalho. A competitividade depende cada vez mais de bases imateriais como o conhecimento. A educação deve voltar-se para essa nova realidade.” Comentarios (0)
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