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A avareza humana e o crédito de carbono PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Pedro Ely   
02-Jul-2008

E então o homem criou o crédito de carbono. Não o condeno por isso. É o que se esperava dele. Não tem o que se criticar. É a única alternativa plausível. Por que não ganhar dinheiro com o meio ambiente? Somos todos individualistas, não?! Vamos lá! Lucraremos e evitaremos o aquecimento global! Que tristeza.

E não é que o meio ambiente virou moeda?! Sim! O que mais poderia se esperar da raça humana? O que mais poderia se esperar de um mundo no qual o Presidente (?) da maior nação do planeta, e segundo maior emissor de dióxido de carbono na atmosfera (a China conseguiu a proeza de ultrapassar o país do norte da América) se recusa a assinar o Protocolo de Kyoto?

O homem, por natureza, não sabe viver coletivamente. Sua avareza e cobiça colocaram o planeta em risco. Alguém acha que de uma hora para outra grande parte da população conseguirá preservar o pouco que não destruiu? Sem recompensa financeira a resposta é NÃO. Durante séculos foi impossível para o homem conceber um modelo sócio-econômico que preservasse todo tipo de liberdade e assegurasse crescimento econômico, distribuição de renda e preservação do meio ambiente.

O mercado de carbono é o termo popular utilizado para denominar os sistemas de negociação de unidades de redução de emissões de GEEs (Gases de Efeito Estufa). No âmbito do Protocolo de Kyoto, há dois tipos de mercados de carbono: mercado de créditos gerados por projetos de redução de emissões (Projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e Projetos de Implementação Conjunta), e mercado de permissões. O mercado de permissões é um sistema de negociação mais apropriado aos países do Anexo B (documento integrante do Protocolo de Kyoto que lista os países desenvolvidos aos quais foram atribuídas metas de redução de emissões), pois se relaciona à fixação de limites sobre o total de emissões de GEEs dentro de determinada área geográfica. Por exemplo, o governo de um país do Anexo B estabelece limites máximos de emissões permitidas para os diversos setores industriais desse país. Nesse contexto, as empresas têm a permissão de negociar suas eventuais sobras com outras companhias necessitadas dessas permissões para o cumprimento de suas metas.

Como eu quero poluir, poluir bastante eu compro a sua quota de “bondade” por alguns módicos dólares. Assim chegaremos ao equilíbrio! Deprimente.
Ironias à parte, a criação do mercado de crédito de carbono é umas das atitudes mais ponderadas dos últimos anos. Ao criá-lo, o homem admitiu toda a sua incapacidade de viver coletivamente e preservar a geração atual e futura. O homem é monetarista. O crédito de carbono é a triste solução.

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