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A Tolerância da Contra-Partida PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Rafael Francisco Antoniolli   
04-Jul-2008

A lei da “tolerância zero” para o consumo de álcool está dando o que falar no Brasil. Faço aqui uma provocação para o leitor FYI: Quais são os benefícios desta nova lei? Na minha opinião, sobram motivos para se questionar o que está efetivamente acontecendo.

Agora, na pele do advogado do diabo, começo o meu posicionamento referindo que o problema não está no teor desta lei, e sim na falta de infra-estrutura que nós cidadãos temos ao recebê-la. Infra-estrutura, caros, é obrigação do governo fornecer ao seu povo – e até agora não vi comentários do presidente ou de seus ministros falando a respeito.

O que na verdade li foram as seguintes palavras do ministro Tarso Genro em entrevista publicada no jornal Correio do Povo do dia 30/jun:

“O que se choca na questão da alcoolemia é, de uma parte, o valor da integridade das pessoas e, de outra, um valor muito individual, que é o direito de beber, causando risco às demais pessoas. Talvez a lei tenha ficado dura demais, mas é este o roteiro que todas as legislações internacionais estão dando para o assunto. A lei não é composta só deste dispositivo. São vários, que modernizam e tornam muito dura a vida daqueles que bebem e dirigem.”


É moderno um cidadão ser duramente penalizado no seu bolso para não ficar à margem da lei?

Tudo isto, no meu entendimento, é explicado por falta de infra-estrutura. Nos países onde há leis semelhantes você pode pegar um ônibus ou metrô a qualquer hora. E de noite, o taxi normalmente é mais barato do que de dia.

Aqui, para começo de conversa, são poucos os lugares onde há metrô.

Ônibus à noite? Piada.

Taxi? Pode ser o mesmo preço do seu jantar no restaurante.

E se eu sair caminhando na rua, então? Devido a insegurança, muitos já sabem o que provavelmente aconteceria comigo.

Novamente o cidadão brasileiro está pagando esta conta. E ainda há o fator Gérson dessa lei, pois as graves punições são estendidas até para aqueles que bebem “socialmente”. Para informação do leitor, a lei brasileira que estava em vigor previa punições para motoristas que tivessem mais de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue. Isso é o equivalente a nada mais nada menos do que 2 copos de Chopp.

Para mim fica claro que não há nenhum motivo plausível para restringir tanta gente. Desafio o leitor a me apresentar ao menos um.

Penso que pouco interessa se for 0 ou 1 grama o permitido para o consumo de álcool no Brasil. Sinceramente, não é esse detalhe que fará a diferença para o cidadão se o mesmo tiver a garantia de um transporte seguro e adequado às suas necessidades na falta de um carro.

A palavra chave aqui é "contra-partida". Porém, este é um processo onde o Estado e a sociedade mais do que nunca têm que chegar a um entendimento – e esta tem sido a grande dificuldade, não é ministro?


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Comentarios (5)Add Comment
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escrito por Paulo, julho 08, 2008
Mas e então, o que falar a respeito dos índices de atendimento no HPS? Já nos primeiros finais de semana após a Lei Seca houve uma representativa queda. Pessoas estão cada vez mais falando: Bah, meu amigo ficou uma noite na cadeia! O outro perdeu a carteira!
Eu digo que isto, no caso do Brasil, e do POVO brasileiro com sua mentalidade, é MAIS do que necessário. Obviamente concordo com tudo que vcs falaram a respeito de Infra, e acredito que muitas medidas tomadas no Brasil só servem para tapar o sol com a peneira. A necessidade a que me refiro é começar a acabar com essa vida louca que se leva aqui, de se achar que nunca vai acontecer nada, até tu acorda com o carro em cima duma parada de ônibus e três pessoas em baixo. Mesmo que a lei não dure por muito tempo e volte a ser como era antes, esse impacto e toda a discução que foi gerada com a lei seca é o que tem potencial de acabar amadurecendo a idéia na cabeça do povo de que, beber e dirigir, nunca é a melhor escolha.
De quebra, e isto já é bem mais difícil (e eu como amante de cerveja e vinhos sei bem), poderíamos começar a tentar mudar a velha idéia vendida em tantos comerciais de que, sem álcool, não se tem diversão, não se confraterniza com os amigos e não se ve mulher gostosa.
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escrito por Denise Pinto Ribeiro, julho 07, 2008
2008, por coincidência, um ano eleitoral... Alguém acha que o governo tomou consciência de alguma coisa? Pensa que os cidadãos vão beber menos pelo motivo certo? Acredita que o valor das multas aplicadas será revertido em proveito do cidadão? Claro que não! O valor dos impostos gerados pelas empresas produtoras de bebidas alcoólicas deve estar descontentando ao governos e políticos. Assim, cria-se uma lei que apenas pune e não educa e, milagrosamente, se fiscaliza o cumprimento desta lei (também uma forma de encher mais um pouco os cofres públicos e privados). Não demora muito, a lei é relaxada, o consumo de bebidas aumenta (junto com os impostos) e tudo volta ao que era. E o cidadão que continue pagando o pato e votando nas mesmas figuras....
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escrito por Rafael Antoniolli, julho 05, 2008
Henrique e Altair: Agradeço pelos comentários. Fazendo uma vinculação com a contribuição de vocês, diria que "pessoas conscientes" e "destino do dinheiro das infrações" poderia ser entendido como investimento em EDUCAÇÃO. Tudo começa nela...
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escrito por Altair Brusch, julho 05, 2008
Rafael, é realmente revoltante esta situação do consumo zero de alcool no Brasil! É indignante ver o governo tomar atitudes como essa e nós mais uma vez usarmos o nariz de palhaço! Alias este já virou um acessório obrigatorio para o brasileiro...
Para onde será que vai o dinheiro de todas as infrações que estão aplicando sem parar? Para financiar o DETRAN?? Ahhh..outro nariz de palhaço pra nós!
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escrito por Henrique, julho 04, 2008
Rafael, concordo plenamente com seu ponto de vista. Aproveito ainda para adicionar um breve opinião minha. O transporte coletivo no Brasil é uma VERGONHA! Nada contra as empresas que fazem parte deste ramo. O problema está na falta de vias adequadas, INFRA-ESTRUTURA (como você disse) e, principalmente, na falta de pessoas conscientes. Temos sim a nossa parte de culpa, se olharmos por esse ponto de vista, mas o governo tem muito mais. Se tivéssemos um transporte coletivo de primeiro mundo, não haveria a necessidade da Lei Seca, pois muitos de nós usaríamos meios alternativos. Parabéns, Rafael, esse assunto merece ser melhor debatido.

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