A Fantástica Fábrica de Impostos cresce como nunca. Na semana passada foi divulgado o resultado da arrecadação de impostos de Abril de 2008 que superou com grande margem a arrecadação de Abril do ano passado, crescendo 11,44% em comparação com Abril de 2007 e 12,6% no acumulado do ano, representando um acréscimo de R$ 24,91 bilhões nos caixas do governo.
Além disso, o governo sondou a recriação da CPMF de forma permanente para o financiamento da saúde e sob uma nova sigla, a CSS - Contribuição Social para a Saúde. A CSS deve ser votada ainda nesta semana e tem boas chances de ser aprovada no congresso nacional. Sua recriação foi uma das sugestões do governo para cobrir os gastos que seriam criados com a aprovação da emenda 29. Essa emenda, já aprovada pelo senado federal e que altera através de lei complementar a destinação de recursos para a saúde pública, geraria um gasto adicional para o governo de aproximadamente R$ 23 bilhões para os próximos quatro anos. Ora, se em quatro meses o governo consegue arrecadar R$ 24 bilhões a mais do que a arrecadação de janeiro a abril do ano passado, consegue com um pouco de esforço alocar estes novos gastos no seu orçamento sem criar nenhum outro imposto.
Do outro lado, a tão esperada reforma tributária anda a passos bem lentos. Ao invés de ser dada a devida prioridade para ela, principalmente no que tange a simplificação e desburocratização do sistema tributário, o governo corre para aumentar ainda mais a sua fatia no bolo.
Contrapondo o aumento da arrecadação do governo, e que pode ser interpretado como uma luz para o sistema tributário, o governo reduziu recentemente o valor da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), abdicando de uma receita da ordem de R$ 3 bilhões. A CIDE é um imposto que incide sobre os combustíveis e sua redução foi rapidamente aprovada para que o aumento dos combustíveis, repassado da Petrobrás para as refinarias, não atingisse o consumidor final, o que poderia causar um grande impacto nas metas de inflação e ir opostamente às políticas monetárias do governo.