
Depois de mais de um mês de “ausência”, volto a postar no FYI. Desta fez, vamos entender que adaptar o negócio, por maior que seja, ao gosto do cliente, traz resultados positivos. Vamos aprender um pouco com o case do McDonalds, que se rendeu aos alimentos saudáveis e abriu mão da padronização para atender melhor a sua freguesia. Os resultados são surpreendentes.
O McDonald's informou que no ano passado lucrou US$ 4,313 bilhões (US$ 3,76 por ação), o que representa um aumento de 80% em comparação com 2007. As entradas da companhia subiram 3%, aos US$ 23,522 bilhões, enquanto as despesas e custos operacionais caíram 10%, para US$ 17,079 bilhões, fazendo com que o resultado operacional refletisse um lucro de US$ 6,442,9 bilhões, 66% a mais que em 2007.
Obviamente o resultado extraordinário em 2008 foi conseqüência de uma série de fatores. Inclusive a crise, por incrível que pareça, favoreceu a empresa.Por ser uma rede de preços baixos (pelo menos fora do Brasil), a empresa foi mais procurada durante o ano do caos financeiro, principalmente nos países desenvolvidos.
O falecido fundador do McDonalds, Ray Kroc, costumava dizer que não sabia se sua empresa estaria vendendo hambúrgueres no ano 2000, mas tinha certeza de que, seja lá o que ela estivesse vendendo, seria a líder mundial de seu setor. Passados 25 anos da morte de Ray, o hambúrguer ainda é o pilar de sustentação da maior empresa de fast food do mundo, mas para manter a liderança o McDonalds mudou muito. O negócio que era baseado todo na padronização das lojas, dos produtos e dos processos teve que dar espaço a um modelo mais flexível, capaz de atender às necessidades dos clientes cada vez mais exigentes e conscientes.
Este processo de adaptação da empresa e transformação do modelo de negócios tomou força no início desta década quando a rede passou a ser apontada como uma das responsáveis pelos alarmantes índices de obesidade da população americana. Identificada como um dos ícones do american way of life, o McDonalds se tornou alvo de todo tipo de manifestação. Entre 2000 e 2003, o valor da marca caiu 9% segundo a Interbrand.
Sob pressão, a empresa passou a trabalhar com a reconstrução de sua imagem. Alimentos saudáveis como saladas, frutas, sucos e vegetais foram incorporados ao cardápio. Além de incluir itens mais leves ao menu, a rede passou a incluir elementos locais tanto no cardápio quanto na decoração das lojas. No Brasil já foi vendido sorvete com paçoquinha, suco de maracujá. Na França, as lanchonetes vendem vinho e os sanduíches incorporam ingredientes locais, como o queijo Reblochon. Até nos EUA, pátria do hambúrguer, a rede tem adotado mudanças, como a inclusão de cafés especiais -versão mais popular dos produtos oferecidos pela Starbucks.
A verdade é que a empresa reagiu energicamente depois do susto que levou e, a partir de 2005, surgiram sinais de reação. Neste ano as ações voltaram ao patamar do fim da década de 90 (US$30). Hoje, as ações do McDonalds valem o dobro.
Em 2008, foi a empresa mais bem-sucedida de seu setor, com crescimento global de 7% nas vendas, um desempenho espetacular, considerando-se o cenário de crise que ronda seus maiores mercados. Quem sabe o seu Ronald McDonald não dá uma aula para outras empresas americanas... com certeza não vai faltar gente precisando uma forcinha.