 Ao falarmos de Cias. Aéreas de baratas no Brasil, geralmente nos vêm à cabeça a Gol. e, mais recentemente, a Azul. Mas desde quando a Gol oferece serviços a baixo preço de fato? Na Europa a estória é diferente... vamos dar uma olhada no modelo de negócio de uma empresa que faz jus ao seu slogan: Ryanair, the low fares airline.
Acabo de entrar no site da Ryanair (www.ryanair.com), a promoção da vez: 1 milhão de assentos a 15 euros. Você deve estar pensando: “ah, mas vôos a 50 reais eu já vi a Gol, a Tam e a Varig vendendo!” Bom, eu sei que é verdade, mas quantas pessoas que você conhece conseguiram acessar o site para comprar? Quantas vezes por ano isto acontece no Brasil? Os destinos e datas disponíveis eram interessantes?
Enfim, o que quero mostrar é que, diferentemente das empresas brasileiras, a Ryanair tem em sua filosofia ser uma “low fare airline”. O que isto significa? Significa que constantemente os tickets estão em promoção, e quando não estão custando 15 euros talvez estejam saindo até de graça, literalmente 0,00. São vôos que interligam toda a Europa e que fizeram da empresa a mais utilizada no continente.
Depois de muito ler e ouvir falar sobre a Ryanair, tive a experiência de viajar com eles e só aí percebi como funciona o negócio. Um amigo meu definiu bem o serviço oferecido. Ao comprar um ticket para o seu pai ele disse: “pai, tu vais pegar um ônibus aéreo, boa viagem”.
A grande questão é que a empresa com sede em Dublin opera, a meu ver, sobre dois grandes pilares: baixo custo e receita extra-tickets. Para mim ainda parece um pouco surreal, mas o CEO Michael O'Leary acredita que em alguns anos a empresa não precisará mais cobrar um centavo pelas passagens.
A receita extra tickets é obtida através de: propaganda a bordo, propaganda no website, parceria comissionada com locadoras de veículos e hotéis, alimentos e bebidas vendidas a bordo, cobrança por bagagens excedentes, seguros e check-in prioritário vendido com os tickets, produtos livres de imposto vendidos a bordo, raspadinhas vendidas a bordo, tarifas de uso de cartão de crédito, tarifas de alteração de tickets, cobrança de chamadas à central de atendimento, entre outros.
Já o baixo custo vem de uma receita com: aeronaves novas que economizam combustível, vendas online, uso de aeroportos secundários, quadro de funcionários extremamente reduzido, reservas de combustível, aviões simplificados, cadeiras não reclináveis, mais poltronas por aeronave, equipes de check-in e embarque terceirizadas, lanche a bordo pago, tempo reduzido de limpeza da aeronave (durante o vôo), alta taxa de utilização das aeronaves, etc.
Apesar de pagar barato, nem tudo são flores para os clientes da Ryanair. Geralmente os clientes da empresa têm que voar de aeroportos secundários, que ficam à cerca de uma hora do centro das principais cidades. Além disso, ao comprar o ticket, você só tem direito a levar uma peça de bagagem de mão pesando apenas 10kg. Qualquer peso ou volume extra é cobrado. Ah, se você não é europeu é cobrada uma taxa de 5 euros para check-in de cada trecho - até hoje não achei uma razão convincente. Além disto, Tudo que é consumido na aeronave é pago, nem mesmo água é gratuita.
Não posso negar que Ryanair conseguiu destruir qualquer resquício de charme ou elegância que se relacionava a viajar de avião. Eu diria que não é a melhor experiência do mundo pegar um vôo onde a equipe de comissários passa vendendo raspadinhas e calendários de aeromoças (estilo de borracharia). Nada contra as aeromoças obviamente, mas a sensação é de que se está na beira da praia no Brasil e logo alguém vai passar oferecendo o queijo coalho. Mas se por um lado voar com a Ryanair não é nada que se deseje, por outro lado a empresa realmente conseguiu popularizar o transporte aéreo.
Gostando ou não, a Ryanair oferece uma relação custo x benefício sem igual nas rotas em que atua e, com a crise financeira mundial, é a única das grandes cias aéreas européias que continua crescendo constantemente.
E você, já voou com a Ryanair ou alguma companhia parecida? Como foi a experiência? O que você acha deste modelo de negócio?
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