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Esses tempos tava eu já meio triste, resmungando porque o Brasil não era tipo os EUA, os países nórdicos etc., e um sueco que encontrei num hostel em São Francisco me deu a real: "Sabe porque que o Brasil não é assim? O Brasil não tem nenhuma empresa que eu conheça... pense em outros países desenvolvidos; todos eles tem uma empresa grande, que faz a diferença.. na Finlândia, Nokia... na Suécia, Volvo, IKEA, H&M... na Holanda, Philips... na Alemanha, Volks, Bayer... no Japão, Toyota, Sony... Eu não conheço nenhuma empresa brasileira." Tentei ainda checar se ele conhecia Havaianas, a Petrobrás, a Vale ou a Igreja Universal do Reino de Deus, mas nada.
Quando a gente discute o porque do Brasil não ser desenvolvido, a culpa na maioria das vezes é da cultura brasileira ou da história do Brasil. Corrupção, jeitinho, falta de vontade de trabalhar pesado, disposição descomunal pra festear, baixos níveis de escolaridade etc. ou ainda o fato de termos sido colônia justificam nosso atraso.
Independente de isso ser verdade ou não, do ponto de vista do sueco, isso é totalmente irrelevante. Em termos práticos, desenvolvimento não deve ser encarado como um problema cultural ou histórico. Primeiro, porque mudança de cultura leva tempo. Nós não estaremos vivos pra ver os resultados dessas mudanças (se existirem). Segundo, porque, ao mesmo que o Brasil muda, outros países também mudam. E a cultura brasileira não parece flexível o suficiente pra mudar mais rapidamente que outros países. Eu acho mais inteligente crer que a distância cultural entre Brasil e outros países vai continuar a existir. Temos que tolerar isso.
Abra os olhos: não há país desenvolvido sem empresas excepcionais que sirvam o mercado consumidor de países desenvolvidos. Então, se nosso país quiser integrar esse grupinho de países, o problema é como criar essas empresas no Brasil. O problema não é mais com a sociedade ou o Governo; o problema é comigo e contigo, aqui e agora. Depende da gente, especialmente da gente que ainda não completou 30, e só da gente. Acima de tudo, é um problema de liderança posto a mim e a ti. Você topa o desafio? Eu topo. Se você não topa, pare de ler esse post aqui. A discussão abaixo é irrelevante.
Se você encara o desafio, deve estar quebrando a cabeça com tantas novas decisões a tomar. Uma delas talvez seja em qual indústria a minha/tua empresa excepcional vai operar. De outro modo, a questão é em quais setores uma empresa brasileira teria condições de competir na arena internacional. Meus palpites são:
Indústria da Beleza. Esqueça L’Oréal, Avon, Revlon etc. A mulher brasileira reina. A cor e as curvas das brasileiras são invejadas no mundo inteiro. Isso é fato. Ao mesmo tempo, o Brasil é percebido como um paraíso natural. Isso também é fato. Veja que tudo isso acontece paralelamente ao crescente interesse das gringas por produtos saudáveis e consumo sustentável. Isso novamente é fato. Qual empresa brasileira vai surfar essa onda? Eu aposto que uma multinacional de bens de consumo tupiniquim que entenda da beleza da mulher brasileira e capitalize a percepção que o mundo tem dela pode satisfazer o desejo estético das gringas. “Beleza brasileira: o que natureza pode fazer por você.” Nenhuma empresa estrangeira pode fazer isso. Isso que é vantagem competitiva! (Aviso ao pessoal da Natura: se vocês não aproveitarem a oportunidade, outros farão.)
Indústria do Turismo. O Brasil tem carnaval, praias, Amazônia, Rio de Janeiro, Salvador, etc. Temos os recursos. Contudo, nosso país ocupa uma mera 36ª colocação entre os países mais visitados segundo a Organização Mundial do Turismo (2005), atrás de vários países europeus, dos Emirados Árabes Unidos e de Barbados. Então é claro que nosso país tem potencial. Empreendedores criativos que souberem minimizar os problemas da falta de segurança e da precariedade do transporte aéreo definitivamente podem decolar no mercado internacional.
Entretenimento. Se tem uma coisa que é brasileiro é festeiro. Somos o país das maiores manifestações populares (é claro que não me refiro a manifestações políticas!), veja o carnaval p.ex. Uma das formas de explorar essa qualidade é com o turismo. Outra forma é com arte, entretenimento, música pra exportação. DVD do Alexandre Pires em espanhol? Mutantes nos EUA? Tom Jobim cantando com Frank Sinatra? DVD da Ivete com legenda em italiano? Esses precursores da expansão da música brasileira merecem nossa admiração. Chegou a hora de mais brasileiros cantarem para outros mercados. Tem gente querendo nos ouvir. Tem gente implorando pra nos ouvir. Se a gente não fizer isso, os americanos continuarão donos do pedaço. E eu já tô cansado de ouvir R&B.
Você pode estar achando que eu sou louco, que estou vendo pêlo em casca de ovo, que essas oportunidades não existem ou são muito arriscadas, mas não. No fundo, é tudo uma questão de liderança. Com todo respeito, eu como brasileiro quero acordar do pesadelo de ser o eterno retardário. Se a gente não fizer algo por esse país, ninguém fará. Pior ainda, se a gente não fizer algo, quem fará algo serão os estrangeiros que chegam no Brasil, e eles estão à caminho. Por exemplo, aqui na universidade, conheci um estudante americano que irá ao Brasil estudar business em 2009 e que decidiu aprender Português desde 2007 porque percebeu que o EUA tá em recessão e o Brasil continuará crescendo por muito tempo. Os caras tão se preparando pro futuro. E a gente? Quem de nós vai fazer frente a eles?
Você tem outra idéia de setor em que empresas brasileiras teriam alguma vantagem competitiva no exterior? Enxerga alguma outra indústria em que empresas brasileiras possam ser líderes em mercados desenvolvidos?
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