Na última quarta-feira – 13/ago – a rede de supermercados Wal-Mart anunciou que pretende investir aproximadamente R$ 1,8 bilhões no Brasil em 2009, além de abrir entre 80 e 90 novas lojas. Achei extremamente interessante trazer este tema para os leitores FYI – discutindo o que efetivamente está por trás deste investimento e o que representa o Wal-Mart no contexto econômico americano e mundial.O Wal-Mart é muito mais do que uma rede varejista. É um player global e suas ações têm efeitos diretos na economia do mundo. Por que isso?
Vamos começar com um americano chamado Sam Walton. Empreendedor nato, um dos grandes talentos do capitalismo americano pós-guerra. Seu sonho? Ter uma rede de lojas de departamento capaz de vender muitos produtos a um preço baixo. E cada vez mais baixo, sempre mais baixo...
O tio “Sam” abriu em 1962 sua primeira loja. Aliando o conhecimento do negócio e uma paixão sem precedentes, em 10 anos o Wal-Mart já era uma empresa de capital aberto e faturava mais de US$ 100 milhões por ano. Hoje, passados 46 anos de sua fundação, tem presença global e fatura mais de US$ 300 bilhões/ano, empregando algo em torno de 1,6 milhões de pessoas.
Enfim, um orgulho americano.
O momento dos Estados Unidos, porém, não permite que uma empresa deste tamanho continue a crescer como cresceu durante sua trajetória. O que comprova esta minha suposição é o recente dado divulgado sobre as vendas no varejo americano. Mesmo com o pacote de estímulo oferecido pelo governo Bush em fevereiro – US$ 168 bilhões injetados na economia – o setor teve queda de 0,1% em julho.
Como 70% do PIB americano gira em torno do consumo, é de se esperar uma retração maior em breve. Ou seja, se os Estados Unidos estão próximos de uma recessão, o varejo é um dos primeiros setores que sentirá na pele os efeitos dela.
Para onde crescer então? Agora sim faz sentido um investimento como esse anunciado para o Brasil. O que precisamos ser bem conscientes é sobre como é a relação do Wal-Mart com seus Stakeholders, e se isto pode ser reproduzido no Brasil de algum jeito.
O ganho de escala, somadas as táticas e inovações agressivas sobre a concorrência, fez com que o Wal-Mart “triturasse” seus fornecedores a fim de garantir um preço sempre abaixo do concorrente para o consumidor final. Claro, a própria cultura da empresa também identifica essa ação como sendo um espelho para a sua comunidade. Lendo alguns artigos na internet, vi que as opiniões são muito divergentes a respeito do negócio em si, mas todos unânimes em citar que o Wal-Mart é um exemplo a ser seguido quando falamos de custos.
As críticas mais contundentes giram em torno da força com o que são varridos pequenos varejistas nas cidades onde o Wal-Mart se instala. Também, o fato da rede importar aproximadamente 60% das mercadorias do total que vende – em especial da China – gera muitas controvérsias a respeito de um suposto financiamento a atividades exploratórias no mundo.
Odiado e amado por muitos, o Wal-Mart é uma afirmação mundial. O recente anúncio de investimentos no Brasil abre precedentes para vários questionamentos a respeito de como será a postura do grupo no nosso mercado.
Esta afirmação é instigante para qualquer pessoa que estude administração, porque acredito que não haja outro caso no mundo onde uma empresa tenha tanta influência no processo decisório em indústrias de bens de consumo.
Se o Wal-Mart pega uma gripe, uma economia inteira adoece. Poderá a paixão de Sam Walton por preços baixos ser um dos triunfos no combate contra a inflação mundial?