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A Reinvenção do Espetáculo PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Rafael Francisco Antoniolli   
29-Mai-2008

Como você define um negócio que vende a arte reinventada do circo? O circo, propriamente dito, só é carregado no nome. O Cirque du Soleil se confunde com aquelas histórias mais lindas e fascinantes que conhecemos do capitalismo moderno, aonde um grupo de pessoas sem dinheiro algum vai atrás de um sonho e torna ele realidade. Mas o Cirque du Soleil vai além, pois encanta com o seu negócio de fazer com que os “clientes” vivam este mesmo sonho que o fez chegar ao topo da indústria do entretenimento.

Há vários motivos plausíveis para definirmos o negócio e seu sucesso. Tudo começou quando o empreendedor canadense Guy Laliberté tomou as primeiras lições de equilíbrio nas pernas de pau após uma viagem pela Europa, pouco antes de completar 20 anos de idade. De volta a Montreal, mergulhou num projeto de reinvenção do circo, elaborado juntamente com outros doze artistas, todos de rua. O grupo promovia festas e participava de festivais na América do Norte. Em 1984, os artistas receberam ajuda de um fundo do governo canadense interessado em fomentar os talentos locais para a celebração dos 450 anos de uma famosa data do país. A idéia estava vendida e o espetáculo criado. Nascia, então, o Cirque du Soleil.

Trazendo novamente para os motivos do êxito do espetáculo, é muito importante esta questão do aporte financeiro dado pelo governo canadense. Digo isto porque o Cirque du Soleil só “decolou” efetivamente em 1992, ano de sua primeira apresentação de grande sucesso mundial – Saltibanco. Até então o grupo passava por sérias dificuldades, e sobreviveu somente após Guy ter se dado conta que o seu circo deveria ser um negócio tão profissional quanto às famosas apresentações da Broadway em Nova York. O retorno para o Canadá veio mais tarde. Sem falar na óbvia exposição que o país tem no mundo ao ser representado por um grupo canadense, a sede corporativa do Cirque Du Soleil é localizada em Montreal. Milhões de dólares investidos em uma instalação de 15 mil metros quadrados – toda financiada com recursos próprios do circo.

Sem dúvida alguma, outro ponto importante foi a revolução que Las Vegas promoveu na vida do Cirque du Soleil. Ao se apresentar em um casino, Guy Laliberté convenceu os donos de hotéis da cidade de que o público deveria ir a Vegas não apenas para jogar, mas sim para consumir outro tipo de entretenimento. O mercado alvo ganhou uma amplitude muito maior. Ao invés de pessoas com muito dinheiro que gastavam apenas nos casinos, os hotéis da região vislumbraram a oportunidade sugerida por Guy. Por que não trazer também idosos e crianças para um espetáculo cheio de fantasia? O resultado foi incrível.

O escopo do negócio foi mudando de acordo com o seu crescimento. Fazendo uma analogia a um projeto corporativo como o Google que está constantemente sendo customizado e “interativizado” a seu público, o Cirque du Soleil parte desta mesma prerrogativa, ou seja, sempre visando fazer com que os espectadores sintam a apresentação em todos os sentidos.

Lyn Herward, diretora do espetáculo, comenta a respeito: "Não somos mais apenas uma companhia de circo. Nosso negócio são as artes performáticas em geral – dança, música, acrobacia, cabaré".

Hoje, o Cirque Du Soleil conta com apresentações fixas em Las Vegas, Orlando e Nova York. Há também outras itinerantes pelo mundo. São aproximadamente 3.800 empregados trabalhando nesta organização. Na última semana, o espetáculo chamado Alegría passou por Porto Alegre – 1ª apresentação do grupo na capital gaúcha.

A revista Veja publicou uma matéria no ano de 2006 sobre o perfil do empreendedor Guy Laliberté , e achei interessante colocar alguns dados para o leitor do FYI a respeito do Cirque Du Solei:

· 40% do lucro anual do circo são revertidos em pesquisa e desenvolvimento. Do cenário a coreografia, o desenvolvimento de cada show leva 3 anos e custa entre 20 e 90 milhões de dólares ;

· Investimento em talentos: Um time de 12 olheiros busca pelo mundo todo músicos, atletas, bailarinos, artistas de rua e de circo. Há 20 mil talentos cadastrados no banco de dados ;

· Crescimento Controlado: Existem nove espetáculos em cartaz atualmente, embora haja demandas para mais shows. O controle de crescimento garante que as apresentações estejam sempre cheias e que os ingressos sejam vendidos até 400 pessoas.


Penso que o último dado trazido pela Veja seja o mais representativo. O Cirque du Soleil, além de limitar o número de shows, não licencia seu produto. Isso diminui o risco da perda de qualidade e mantém alta a margem do espetáculo.

No ano passado, Guy Laliberté recebeu da consultora Ernst & Young o prêmio de empreendedor mundial de 2007. Ele foi também foi considerado uma das 100 pessoas influentes do mundo pela Times Magazine. E para fechar seu “currículo”, figura na lista da Forbes com uma fortuna estimada em US$ 1,5 bilhões.

Leitor, você acha que há palhaços no Cirque du Soleil?

Comentarios (5)Add Comment
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escrito por solange fração, junho 17, 2008
Se há palhaços no Cirque du Soleil? Quando criança nunca achei muita graça em circos: eram precários, sujos, cheiravam mal e os palhaços me pareciam mais bobões do que efetivamente palhaços. O Aurélio traz uma definição de Palhaço como sendo "pessoa que por atos ou palavras faz que os outros riam". Vendo o Cirque du Soleil fiz as pazes com o circo, me diverti com os palhaços, me maravilhei com os acrobatas, contorcionistas, malabaristas... Então, acho que há Palhaços no Cirque, palhaços com "P" que nos nos fazem rir e encontrar o nosso lado criança mais genuíno. São profissionais que operam a magia de fazer tudo com maestria e parecendo ser sem esforço. E isso só com muito amor, profissionalimso e trabalho árduo.
Parabéns Rafael pela reportagem que nos faz pensar sobre o que fica nos bastidores, sobre o que precede o espetáculo. Nada é por acaso.
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escrito por Daniel, maio 30, 2008
Muito legal o artigo, não conhecia a história deste empreendimento fantástico que é o Cirque du Soleil. Por traz de um grande sucesso sempre temos um grande profissionalismo. Parabens Rafael por descobrir um assunto tão interessante e ao mesmo tempo desenvolve-lo tão bem.
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escrito por Juliana Dileta, maio 29, 2008
Interessantíssimo! As origens do Cirque du Soleil eram desconhecidas até então para mim. O texto ficou ao mesmo tempo muito agradável e com muito conteúdo. Parabéns!
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escrito por Felipe, maio 29, 2008
Realmente o Cirque du Soleil é uma empresa fascinante. Para mim o maior motivo do sucesso dos espetáculos é o foco na experiência do cliente. Tive o privilégio de assistir a um dos espetáculos. O "circo" proporciona aos clientes algo que é essencial no marketing , uma experiencia/momento marcante. Isto fica na mente do cliente por muito tempo e gera propaganda boca a boca positiva!
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escrito por Daniela C, maio 29, 2008
Rafael, adorei o texto! Não conhecia a história do Circo e do Guy. Realmente, temos muito o que aprender com ele!

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