 O mercado está bipolar. A turbulência financeira causada pela crise no setor de crédito subprime nos Estados Unidos - e seus desdobramentos - estão causando momentos de euforia e tensão no mundo. A economia americana está em franca desaceleração. Os indicadores anunciados nos últimos dias comprovam e corroboram esta que é a pior das visões possíveis para os investidores.
Mercado de trabalho, atividade industrial, venda de imóveis usados e novos, confiança do consumidor, todos esses indicadores em níveis baixos, mostram uma economia americana rumando para a recessão. Para piorar, o único indicador que parece não parar de crescer é a inflação. Desacelaração econômica + inflação = estagflação. Estagflação = pânico no mercado. Meu grande receio é que os problemas enfrentados pelas Instituições Financeiras dos EUA não cesse no longo prazo (em meu próximo post apresentarei o “novo subprime” que poderá atormentar o mercado nos próximos anos) e que esta redução na taxa de juros traga pressões inflacionárias.
Mais atento ao crescimento econômico do que as taxas de inflação, e para acalmar os investidores, o Federal Reserve (FED), o Banco Central dos EUA, anunciou, em reunião extraordinária, a redução em 0,75% da taxa de juros, que passou de 4,25 pontos percentuais para 3,5 p.p.. É provável que na próxima reunião do FED, que acontecerá no final do mês de Janeiro, haja uma nova redução na taxa de juros americana (o consenso de mercado é para um decréscimo de 0,25% na taxa). Esta ação enérgica do Federal Reserve trouxe alívio momentâneo aos mercados financeiros mundiais. A BOVESPA, que havia fechado a Segunda-feira 21 de Janeiro em baixa de 6,6%, recuperou-se com uma alta de 4,45% no dia seguinte. Na Quarta-feira mais notícias negativas vindas dos Estados Unidos e mais uma queda expressiva: 3,32%. Na Quinta-feira, recuperação. Alta de 5,95%.
A montanha-russa no mercado tende a perdurar. Em meu primeiro post me posicionei ao lado de algumas corretoras que acreditavam que no 1o Semestre teríamos uma pequena valorização na Bolsa, enquanto no 2o Semestre o movimento seria de pequena queda. Disse ainda, que o ano seria de rentabilidade positiva para a Bolsa de Valores, esta que continuaria a apresentar valorização superior a outras opções de investimento, como fundos de renda-fixa ou dólar. Continuo com a mesma visão positiva para o mercado acionário em 2008. Os primeiros indicadores da economia americana divulgados durante o mês de Janeiro, porém, faz com que passe a sustentar que os 2 primeiros trimestres serão de extrema dificuldade para o investidor. Grandes altas seguidas de expressivas quedas, este será o movimento do mercado durante os primeiros meses de 2008. A partir do 3o Trimestre observaremos uma leve recuperação da economia americana que ocasionará em um fim de ano positivo para as Bolsas de Valores ao redor do globo.
|