Temos mostrado nesta série de artigos que o grande desafio ao definir-se uma política de dividendos é balancear a distribuição de resultado hoje e o reinvestimento para entregar maiores resultados no futuro, tendo em vista sempre o maior retorno ao acionista. Em mercados perfeitos, a política de dividendos é irrelevante. Defendendo a irrelevância dos dividendos são adotadas três importantes justificativas: primeiro, a avaliação da empresa se baseia em seus ativos, segundo, existe a valorização semelhante dos diferentes ativos e, por último, temos o efeito clientela.
a) A avaliação da empresa é baseada em seus ativos.
Considerando um mercado perfeito, o valor da empresa é determinado apenas pelo seu potencial de geração de lucros e risco de seus investimentos. O destino dos lucros não altera o valor da empresa. Os autores que defendem esta teoria partem das seguintes premissas para caracterizar o “mercado perfeito”:
1. Não há impostos ou corretagens.
2. Nenhum participante do mercado é capaz de afetar o preço de mercado do título por meio de suas transações.
3. Todos os indivíduos têm as mesmas expectativas em relação a investimentos, lucros e dividendos futuros.
4. A política de investimento da empresa é pré-estabelecida, não sendo alterada por mudanças de política de dividendos.
b) A valorização semelhante dos diferentes ativos
Nos mercados perfeitos, os retornos esperados de todos os títulos seriam iguais. Isso ocorre por causa da simetria de informações, gerando taxas de risco iguais a todos investidores.
c) O efeito clientela
O efeito-clientela diz que uma empresa atrai acionistas que preferem a política de pagamento de dividendos por ela utilizada. Assim sendo, se a empresa adotar uma política de distribuição de dividendos altos, o valor das suas ações dependerá da manutenção dessa prática. Segundo os teóricos redução do fluxo de dividendos pode ser interpretada pelos acionistas como um indicador de mau desempenho da empresa. O mesmo vale para as empresa que adotam a baixa de distribuição e a política de reinvestimento de lucros.
Segundo os autores Modigliani & Miller (1961) as visões relativas à irrelevância dos dividendos serviram como base para a elaboração da teoria residual, que aborda a tomada das melhores decisões de investimento para maximizar o valor das ações.
Teoria Residual
Esta é uma escola de pensamento que sugere que o dividendo pago por uma empresa deve ser visto como um resíduo, ou seja, sempre deve ser repassado ao investidor o montante disponível depois que todas as oportunidades aceitáveis de investimento foram aproveitadas. Esta escola apóia a idéia de que, enquanto a necessidade de capital da empresa exceder os lucros retidos, nenhum deve ser pago. Se existir excesso de lucro, então o montante residual deve ser distribuído como dividendos. Como base desta abordagem temos uma administração segura, onde sempre deve se certificar que a empresa tenha o dinheiro necessário para competir de modo efetivo. Ainda, essa escola acredita que o retorno exigido de investidores não é influenciado pela política de dividendos da empresa ou seja, na Teoria Residual, a política de dividendos adotada é irrelevante.
Leia também os artigos anteriores da série Política de Dividendos:
- A História dos Dividendos
- O que são dividendos?
- Retorno ao Investidor
Fique atento para o último artigo da série:
- A realidade do mercado.