Empreendedorismo
Celular descartável BIC. Um produto promissor?! Acho que não... | Celular descartável BIC. Um produto promissor?! Acho que não... |
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| Escrito por Felipe Besouchet | |
| 21-Jul-2008 | |
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O BIC Phone é uma parceria da BIC com a operadora celular Orange, e será vendido inicialmente somente na França. O slogan do produto - Allumez, téléphonez (Ligue, telefone) - traduz a proposta do mesmo para os consumidores. Basta ligar o produto e sair falando... sem contratos com operadoras, sem carregar bateria por 8 horas, sem inserir chip e colocar pin códigos e etc. A intenção da empresa é vender o telefone para turistas e pessoas que precisam de um número por períodos curtos, como quem anunciou a venda de um carro por exemplo. O aparelho tem design pouco elaborado e quase nenhuma funcionalidade adicional à função clássica do telefone: fazer chamadas. O BIC Phone vem com um chip (SIM Card), um número pré-selecionado, a bateria carregada e com 60 minutos de ligações gratuitas. Os créditos do telefone são válidos por 2 meses após a ativação, e o número que vem com o aparelho é válido por apenas 12 meses. O preço de venda inicial será de €49, o que achei particularmente muito caro considerando que no Brasil podemos comprar aparelhos pré-pagos por cerca de 70 reais. De fato o preço não é muito competitivo, mas provavelmente a empresa esteja apostando que vai atender a necessidade daqueles consumidores que precisam de uma solução prática e rápida, sem ter que enfrentar vendedores de operadoras celulares e sem ter que preencher cadastros e etc. Fazendo uma análise de comparação entre a proposta do aparelho, sua relação custo x benefício e comparando com o que já se oferece no mercado, acredito que o BIC Phone não começa muito bem. O que mais chama atenção é o ciclo de vida curto para um tipo de equipamento cuja reciclagem não é um processo simples. Em um momento onde produtos “verdes” têm ganhado força, a BIC deveria pelo menos apresentar um serviço de coleta e reciclagem dos seus celulares para que eles tenham uma aceitação maior. E você leitor o que acha deste produto? Um fracasso certo? Uma incógnita? Mais uma ameaça ao meio ambiente?
Comentarios (7)
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escrito por Tiago Sommacal, julho 23, 2008
Tenho q descordar e parabenizar a Bic por criar um produto q atende a um problema nao-resolvido pelas outras operadoras telefonicas na França, talvez no mundo.
Há pouco tempo, o Besucha publicou um post aqui sobre o descaso das operadoras brasileiras com os clientes. Nos EUA esse problema tb ocorre e aposto q tb na França, em q greve eh regra pro trabalhador do setor público segundo uns franceses amigos meus. Esse produto soluciona esse problema e tb outros. Preste atenção: ele naum eh direcionado aos franceses, mas aos visitantes na Franças, turistas, trabalhadores temporários e imigrantes ilegais. Imagina um africano q naum fala uma silaba de frances chegando na Franca precisando falar com seus familiares lah. Ao inves de comprar um prepago e perder um tempao se cadastrando nas databases das operadoras, comprar um BIC cell phone eh mto mais inteligente pq economiza tempo. Além de capitalizar no mercado emergente de produtos pra viajantes (exemplos de produtos incluem www.rovair.com e http://www.luxist.com/2008/07/...e-service/), ele tb aproveita outras tendencias, tal qual o transumerismo (consumidores q preferem viver sem vinculos fixos com ninguem) e o imediatismo da pós-modernidade (prazer, consumo imediato, instantaneo). Por lançar um produto q soluciona um problema não resolvido e eh sensivel a essas tendencias, a BIC merece nossos aplausos. Espero q ações de marketing associadas a esse produto sejam consistentes com seu propósito e target, soh assim ele tera sucesso. Qnt ao fato do produto ignorar o meio ambiente, acho q, a nivel internacional, isso eh preocupacao de ricos q tem dinheiro de sobra, e naum de gente pobre apertada com o orçamento. Excecao a essa regra, o brasileiro medio prega mais a proteçao ao meio ambiente pq tem recursos naturais de sobra, e naum pq optou consciente e deliberadamente por uma filosofia contemporanea em resposta a degradaçao do mundo, como acontece com aqueles ricoes. Moral da história: acho q ser ambientalmente correto naum eh relevante pro target do cell phone da BIC. Tb acho q naum relevante pro target da maioria dos produtos da BIC, cuja estrategia central e prover produtos acima de tudo convenientes, e naum ambientalmente corretos. A BIC naum oferece hj produtos ambientalmente corretos simplesmente pq isso naum eh suficientemente relevante no contexto em q ela atua. Se a precoupacao com o meio ambiente vier a atingir o mainstream mais intensamente, aposto q ela usaria o plastico da brasileira Braskem em seu cell phone. ...
escrito por Guilherme Bezerra Rodrigues, julho 22, 2008
Apesar da ojeriza que a idéia provoca nestes tempos de pensamento holístico, de preservação do planeta, é muito interessante a matéria por indicar uma aposta "furada" de uma empresa tão forte e reconhecida. Imagino que muitas outras empresas igualmente sólidas e respeitadas lancem todo ano produtos que se mostram fiascos. Acontece que só os sucessos geram publicidade...
Pensando em investimentos, creio que conhecer as novidades das empresas nas quais investimos ajuda a conferir um conhecimento de causa maior ao investimento, que deixa de ser um tiro no escuro, ou um palpite do analistas, e passa a ser uma aposta na qualidade do produto. Matérias deste tipo fazem falta. Pra mim, esta idéia da Bic poderia ser uma brincadeira de mau gosto, mas vale lembrar que nenhum grande sucesso nasce como unanimidade... ...
escrito por Carlos Lolatto, julho 21, 2008
Para mim é mais uma idéia ridícula da BIC que tenta entrar em mercados que ela não possui nenhum conhecimento e com produtos não vendáveis.
Já não basta a tentativa frustrada da francesa em tentar vender perfumes com a marca BIC agora quer vender celulares também. Alguém compraria um perfume com a qualidade BIC? e um celular com a qualidade BIC? Canetas e barbeadores tudo bem, mas mais uma vez a BIC está tendo uma miopia de marketing e investindo em produtos que não terão a demanda esperada pela empresa. ... escrito por Guilherme LS, julho 21, 2008
Achei a solução de celular descartável interessante, porém ela não é inédita. Podemos acompanhar nas seguintes reportagens:
http://www.planetarium.com.br/planetarium/noticias/2001/3/984765294 http://www.terra.com.br/informatica/2002/07/29/012.htm Essa já é uma idéia antiga que inclusive já foi lançada nos E.U.A., mas ao meu ver não emplacou devido ao fácil acesso que se tem a produtos com diversas funcionalidades e com a relação custo-benefício extremamente atraentes. O preço desse celular descartável realmente não é nada atraente. Quanto à idéia de preservação ambiental, acho que não é uma das principais preocupações das empresas ao lançar um produto nos países mais dessenvolvidos. Eu vejo que a mídia brasileira eleva essa questão a um nível de importância bastante alto (com todo o meu apoio) porém os países de primeiro mundo, já tem uma cultura de evolução lucrativa e não de evolução sustentável. O grupo Braskem foi há pouco certificado por produzir polietileno verde, que é um polietileno que não possui em sua composição nenhum átomo de carbono proveniente de petróleo. Esse material é 100% renovável, pois o plástico feito com ele entra no ciclo do carbono, o que o torna um plástico renovável!! Isso possibilita a renovabilidade do celular descartável, por exemplo, pois após o seu uso o celular poderia ser devolvido à empresa e ela reutilizaria o plástico e seus circuitos eletrônicos ainda dando um benefício ao usuário que devolvesse. (Não é jabá, hehehe) Quanto à terceira questão que eu acho importante. A funcionalidade. Acredito que o celular é um produto que foi criado para podermos ser contatados em qualquer lugar. É um aparelho que nos propicia maior visibilade aos nossos contatos e ainda sim, mantendo um considerável grau de sigilo. Nao vejo a população se sentindo atraída por um produto que nos dá conectividade por um período curtíssimo a menos que exista uma grande quantidade de "espiões" por aí. Da maneira que o produto foi relatado nessa reportagem, acredito que seja um fracasso certo, não imediato, mas certo. Entre um celular que dura 8 horas, nenhum recurso e que custa €49 prefiro muito mais o meu iPhone de €249 que faz mais coisas que o meu próprio computador e ainda vem com aquela maçã maneira nele. Escreva seu Comentario
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-Preço alto.
1) Não podemos esquecer da máxima do marketing: não dá pra avaliar os preços na França pensando que são equivalentes no nosso mundo, ao Brasil. 49 euros, convertidos em reais, é muito prum celular pré-pago no Brasil, mas não dá pra dizer o mesmo na França, outro mundo, outra estrutura de distribuição, de competição, de preços. Li uma reportagem que a BIC só participa com a marca no novo produto (http://news.yahoo.com/s/pcworld/20080711/tc_pcworld/148255), parceria entre ela, a Alcatel (fabricante) e a Orange (operadora). A Orange é subsidiária da FranceTelecom, a maior operadora telefonica francesa, e já vende celulares, cartão pré-pago, planos etc. Porque diabos iria a Orange dar um tiro no pé e oferecer um produto sem sintonia com sua próprias ofertas?
2) Quanto mais falamos de bens de conveniência (como o celular em questão, que pretende ser vendido no varejo, e não em lojas/quiosquers de telefonia), mas insignificante é qualquer discussão sobre preços, pq primeiro não há concorrência direita nesses canais, e segundo o envolvimento do consumidor é baixo. Um viajante que chega num aeroporto e precisa fazer uma ligação urgente nem vai pesquisar preços sobre telefone, vai comprar o primeiro q aparecer na frente, ou seja, o BIC na banca de revistas do aeroporto.
-Concorrência com telefone público e telefone no hotel. Usar telefone no hotel ou telefone público não é fun e não é móvel. Esperar numa fila, pedir pra usar telefone etc. não combina com a rotina corrida do dia a dia, com o gratificação imediata cada vez mais requerida pelo mercado, e, acima de tudo, com a enorme falta de tempo que qualquer turista sofre quando chega a um país. Quem viajar a turismo quer relaxar, não ter dor de cabeça procurando telefone barato. E o imigrante ilegal quer acima de tudo evitar cadastros, pq logicamente não possui ID, passaporte, registro oficiais q o permitem ser cadastrado. Isso se aplica tb ao traficante, drug dealer, tb beneficiado pelo cell phone.
-Celulares com cartões sem data de validade. Acho dificil que na França o mercado seja competitivo o suficiente para que isso já exista. Isso não existe aqui nos EUA, não sei na França.
-Descarte do celular. O celular poderá ser descartado como qualquer outro celular, nas próprias lojas da Orange, que certamente possui um sistema de logística pra recolher os celulares usados de seus clientes ecologicamente corretos. Mais do que isso, o celular não é obrigatoriamente descartável -- pode ser usado se o usuário quiser continuar com ele, como a Orange enfatiza explicitamente aqui (http://news.yahoo.com/s/pcworld/20080711/tc_pcworld/148255). O problema é que a marca Bic está mais posicionada como descartável ao invés de conveniente, o que confunde alguns comentaristas.
Outra coisa: acho que não há como comparar esse produto com o perfume da Bic lançado no passado. Os contextos são totalmente diferente, já que a Bic atua aqui com vários parceiros experientes, ao contrário daquela situação.
Eu dou os parabens a esse produto pq vejo ai uma vantagem competitiva: o celular é pronto para usar, inclusive já vem carregado. Então ele atende um problema evidente: comunicar-se IMEDIATAMENTE com qualquer pessoa, e com mobilidade. Problema não-resolvido até então por outros players ou concorrentes.
Se hj existe massa crítica suficiente para comprar o produto da BIC ao preço proposto, é outros quinhentos. Só saberemos isso, ou se já é lucrativa a oportunidade perseguida pela Bic, depois do lançamento, no futuro. Garanto que, se a BIC não lucrar com essa oportunidade, eh uma questão de tempo pra que outras empresas lucrem. Pode ter certeza que outras operadoras perseguirão essa oportunidade com outros produtos, seja com preços mais baixos ou tecnologias menos nocivas ao meio ambiente. O valor da gratificação imediata definitivamente caracteriza nossos tempos hipermodernos, em que o ontem já passou e o futuro é agora, não há como ir contra a corrente. Quem ignorar, não vai lucrar.