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Desde que desci no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, para esta minha estadia na França diversas particularidades do país me chamaram a atenção. Língua, cultura, forma de se vestir, preços, arquitetura... enfim, nada além do que qualquer viajante percebe ao chegar em território estrangeiro. Porém, tem uma coisa que realmente me deixou impressionado por aqui, que é o patriotismo econômico. Pode parecer estranho, mas comecei a contar os carros na rua. De 50 carros que contei enquanto caminhava, 37 eram de indústrias francesas. Mais de 70%, realmente chama a atenção! Depois disto me perguntei: será que não falta um pouco de patriotismo para os consumidores e governantes brasileiros?
Você já parou para pensar quantos dos produtos e serviços que você compra são de empresas brasileiras? Na próxima vez que fores ao supermercado dê uma olhada na cesta de produtos e vai se espantar. Quase tudo que compramos é de empresas estrangeiras. Mas por quê?
Bom, durante muitos anos nosso mercado ficou praticamente fechado para os produtos importados, que eram privilégio para poucos. O resultado óbvio foi que a indústria nacional, em geral, parou no tempo. Nossos produtos, salvo raras exceções, eram muito fracos se comparados com o que era oferecido fora do país.
Então chegou o governo Collor que, além de congelar as poupanças dos pobres cidadãos, derrubou bruscamente as barreiras de importação nacionais. Com isso, o país foi inundado por produtos importados com qualidade superior. Com isso muitas empresas brasileiras quebraram, pois não eram competitivas.
Com esta sucessão de fenômenos político-econômicos foi se criando uma imagem de que os produtos nacionais não são bons, e que tudo que é importado é melhor. Eu mesmo me lembro durante minha adolescência que os amigos enchiam a boca para falar “meu tênis é importado” ou “comprei um walkman importado”.
Alguns liberalistas e defensores dos ideais de Adam Smith afirmam que nada mais natural, que tudo isto faz parte, e que o sistema só funciona se o governo não intervier com a concessão de privilégios para alguns grupos a pretexto de preservar o bem comum. Mas mesmo nos países mais defensores do liberalismo econômico, muitas contradições podem ser notadas. Vide a promessa do governo americano de comprar ações de alguns bancos por causa da crise financeira global.
Na França, a força da indústria nacional no país pode ser atribuída tanto ao protecionismo das políticas públicas quanto à própria atitude do consumidor. Aqui até os ônibus e caminhões são da ex-estatal Renault. Freqüentemente o governo se envolve com o setor privado para dificultar ou inviabilizar a venda de empresas francesas por outras estrangeiras.
Será que não falta um pouco disso para nós brasileiros? Bom, já que mudar os governantes e suas idéias é mais difícil, eu proponho começarmos por ações ao nosso alcance!
Quantos de vocês dão preferência para abastecer na Petrobras? Ou preferem comprar o leite Batavo ao Nestlé? Enfim, apesar de não termos produtos nacionais em todas as categorias, acho que vale a pena ajudar!
Alguém é contra este tipo de ação?
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Eu prefiro sim abastecer na Petrobrás, e sempre que possível compro ou invisto no que é "nosso". Não que vá pagar preços muito superiores, mas tenho visto que muitas vezes se paga mais por importado sem sequer se saber direito o porquê.
Parabéns pela matéria, essa consciência é importante que sempre esteja sendo reforçada!