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Escrito por Rafael Francisco Antoniolli   
27-Jun-2008

Se os economistas do mundo inteiro pudessem no dia de hoje fazer um pedido para o gênio da lâmpada do Aladim, acredito que seria o seguinte: “Gênio, quero uma solução para a inflação do mundo!”

Estamos presenciando várias notícias a respeito deste tema, com textos já discutidos inclusive no FYI. Porém, a minha provocação feita na primeira frase do parágrafo acima está exatamente na variável tempo – no dia de hoje.

O presidente da Organização de Países Exportadores de Petróleo – OPEP – , Chakib Khelil, disse que a cotação do barril este ano poderá chegar aos US$ 170,00. Quero mostrar para o leitor FYI quais são os possíveis impactos de uma procura tão grande por essa e outras commodities e também os motivos para isto estar acontecendo...no dia de hoje!

Antes mesmo de os Estados Unidos entrarem na crise de crédito causada pelas hipotecas de alto risco, os preços das commodities – leiam-se matérias primas – já estavam subindo. Isto porque as economias ditas emergentes começaram a puxar o alto consumo que até então somente os países desenvolvidos estavam tendo. Podemos imaginar que o desenvolvimento de China e Índia uma hora iriam resultar em aumento do poder de compra de sua população. E isto efetivamente já aconteceu.

Tudo bem, concordo que o chinês e o indiano ainda ganham muito mal quando comparados até mesmo com nós brasileiros. Porém, na minha opinião, quase 2 bilhões de pessoas em condições de comprar produtos com um mínimo de valor agregado já são suficientes para chacoalhar a economia mundial. Tanto é verdade que a revista americana Newsweek desta semana colocou na reportagem A Economia: Por que é mais preocupante do que você imagina” um fato bem interessante que eu desconhecia e provavelmente o leitor FYI também:

"Historicamente, pelo menos a partir do final da II Guerra Mundial, se os Estados Unidos se gripava, o mundo no mínimo pegava um resfriado. Quando nós usávamos mais gasolina, o preço do petróleo subia, e vice versa. Como o vice presidente da GM, Bob Lutz, coloca. “O preço do petróleo costumava ser o primeiro a reagir negativamente quando os Estados Unidos iam mal.”

Pois bem, no dia de hoje as bolsas do mundo registraram forte queda com a divulgação de possíveis perdas financeiras de bancos americanos – efeito da crise do crédito. Uma vez isto se confirmando, é provável que muitos funcionários desses bancos sejam demitidos. Para se ter uma idéia, o dado oficial do órgão governamental Labor Department consta que para o mês de maio deste ano mais de 49 mil trabalhadores ficaram desempregados nos Estados Unidos.

No dia de hoje, a notícia dada pelo presidente da OPEP vai contra a história recente do mundo, segundo o que publicou a Newsweek. Os Estados Unidos estão muito próximos de uma recessão econômica enquanto que o preço do barril de petróleo – principal representante das commodities – cresce sem parar até chegar e possivelmente ultrapassar o cabalístico valor de 170 dólares.

Além do forte consumo de matérias primas, o outro ponto para o preço tão alto delas reside extamente na fraqueza das bolsas e a fuga para investimentos mais seguros. Hoje, acredito que as commodities já sejam uma alternativa consistente para os chamados títulos do tesouro americano, por apresentarem boa perspectiva de demanda no curto e longo prazo. Isso acontece quando as bolsas de valores passam por períodos de certa incerteza, e muitos investidores tiram seu dinheiro das ações – até então compradas – para investir em ativos de menor risco.

O que muitos analistas definem o que está acontecendo como sendo especulação, para mim já virou é mesmo proteção.

As principais causas da inflação dos preços de matérias primas no mundo – consumo e especulação – geram muitos debates acerca do nosso futuro. Sinceramente, acredito que não há muito o que fazer em relação a certas matrizes energéticas se nós não olharmos um pouco para nós mesmos e fazermos a lição de casa consumindo menos. O exemplo começa de “dentro para fora”. Porém, por mais que ainda haja substitutos para o petróleo, imaginemos outra commodity que está em voga – o minério de ferro. Pergunto para o leitor FYI: Existe substituto para o ferro? O aço é feito de ferro e por tabela a construção civil – setor em forte expansão – depende dele. As construções estão também ficando mais caras, e isso não depende de um esforço comum meu, seu e da população no geral.

Vamos esperar e ver o que acontece. A minha conclusão é a seguinte: o ano de 2008 tem sido vivenciado em todos os seus “dias de hoje” de uma forma muito intensa. E ainda assim teremos a olimpíada da China e eleições nos Estados Unidos, ou seja..a montanha russa ainda não acabou!

Em tempo, um filme que achei muito interessante e sugiro assistir é o Syriana. Trata de questões políticas e econômicas acerca do tema petróleo. Super atual e muito bem feito!


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Comentarios (6)Add Comment
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escrito por Gustavo Monti Steffens, junho 30, 2008
Mais uma vez muito bem escrito e fundamentado. Vc está se saindo muitíssimo bem. E olha que quem vos fala é um economista. Parabéns!
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escrito por Heloisa Oderich, junho 28, 2008
Parabéns Rafael, mais uma vez um excelente artigo !
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escrito por Laura Meyer, junho 27, 2008
Parabéns Rafael, excelente texto, muito bem escrito, provocante, instigante. Mexe com a gente e faz pensar em nossa participação no futuro de nosso país. Espero que pessoas como tu possam nos orientar futuramente. Torço por ti, muito sucesso. Uma amiga da tua mãe. Um abraço, Laura.
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escrito por Pedro, junho 27, 2008
Dezembro de 2006 leia-se Dezembro de 2007...
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escrito por Pedro, junho 27, 2008
Muito bom o post Rafael. É possível traçar um paralelo com meu post de Dezembro de 2006

http://fyi.blog.br/financas-e-mercado-de-capitais/sobre-vanderlei-cordeiro-de-lima-e-a-bolsa-de-valores.html

Curva da Taxa de Juros, Inflação, Subprime, problema de líquidez, preço do petróleo e o mais grave, e que ainda não se tinha o tamanho exato da proporção quando escrevi meu post em Dezembro passado: A AGROINFLAÇÃO!!!!!!!! Socorro...
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escrito por leinad, junho 27, 2008
Muito, muito bom teu artigo Rafael, abordas este tema que é o "prato do dia" de uma forma bem abrangente, demonstrando-o a partir de vários pontos de vista sobre as origens da inflação mundial.

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