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Jogando na crise PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Rafael Francisco Antoniolli   
27-Nov-2008

Em tempos de crise, os economistas trazem todos os dias novos e mirabolantes indicadores. Exemplos? Vários. A lista começa com resultados das empresas, vendas no varejo, vendas no atacado, inflação, custo do crédito, índice de confiança do consumidor, desempenho das bolsas, valor do dólar, euro, real, etc, etc e etc...Porém, pergunto se há algo que mais impressiona a gente do que empresas anunciarem cortes de 1, 10, 100, 1.000 ou ainda 10.000 postos de trabalho?

Penso que muitos aqui sabem que recentemente o Banco Citibank anunciou que irá demitir 50.000 colaboradores em suas unidades no mundo. É gente demais.

Vinculado a fatos como esse, uma questão importante levantada na sociedade americana é se o governo deve ou não salvar as empresas que estão à beira da falência. Bancos, redes varejistas, montadoras, enfim, os efeitos do subprime finalmente chegaram na economia dita "real". E nós, o que devemos pensar disto? O que pode influenciar na nossa vida real?

Mês passado as unidades da GM no Brasil tiveram férias coletivas forçadas, fruto do desaquecimento nas vendas e também da quantidade absurda de carros em estoque. As revendas prontamente acusaram o golpe, com perda de 11% de receita em relação ao mês de outubro - dados da Anfavea. O crédito está caro, os consumidores receosos e as empresas começam a apertar os gastos. Numa perspectiva de curto prazo, aonde será que a tesoura vai cortar melhor?

No seu emprego.

Esse seria o enfoque mais racional em um cenário sem possibilidade de ajuda de outros agentes. Pois bem, a discussão toda está justamente no único agente que pode salvar o emprego do Joe Doe: os governos, e, por tabela, os contribuintes que mais uma vez pagam a conta.

Fico com a convicção que nesse jogo está aparecendo a força que esses conglomerados econômicos estão exercendo na economia. A GM e a Crysler, por exemplo, entraram com pedido no congresso americano para serem enquadradas no chamado “Chapter 11” – lei que regulamenta a recuperação judicial das empresas em processo de falência com apoio financeiro do estado.

O recado funciona mais ou menos assim: Ou tenho o suporte dos contribuintes ou quebro e levo milhares de famílias comigo.

Um nó na garganta não? Jack Welch recentemente defendeu em um artigo publicado na BusinessWeek que as montadoras deveriam entrar em Chapter 11 com o confesso propósito de se fusionarem após o período de reorganização das firmas. Sem essa medida, sustenta que “a indústria automobilística americana provavelmente não sobreviverá no futuro competindo com outras nações – em especial as asiáticas”

Ele conclui afirmando que essa seria uma medida muito dolorosa e diversos empregos e benefícios seriam perdidos no processo de sinergia da fusão das duas empresas. Entretanto, o futuro implicaria na volta de uma indústria competitiva e cheia de empregos para os americanos.

Achei legal trazer pra cá a opinião dum cara tão respeitado como é o Jack Welch. Claro que ele não é um profeta, longe disso, mas é alguém que pela sua história de sucesso devemos considerar sempre.

Aqui no Brasil a gente não precisa ir muito longe pra ver este processo acontecendo. A diferença é que foi no setor financeiro, com a união de Santander-Real e mais recentemente Itaú-Unibanco. Vocês acham que seria plausível ter duas agências do mesmo banco em uma rua, por exemplo? Acho que não.

Não sei o que vai acontecer com a economia no próximo ano, mas infelizmente acredito que dificilmente os empregos crescerão na mesma proporção que vimos nos últimos anos no Brasil. Enfim, um momento para reavaliarmos e definirmos estratégias profissionais porque uma hora esse mar voltará a ficar pra peixe!

 


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Comentarios (4)Add Comment
...
escrito por Lissandra, dezembro 23, 2008
Compreendi a tua mensagem. Falaste de vários exemplos que convergiram para o momento atual que a economia está enfrentando.
Foco no presente e futuro.
Até mais.
...
escrito por José Luiz Fenker, novembro 29, 2008
Rafael,

Não achei teu artigo sem foco, esta bem claro que o mesmo gira em torno da questão do emprego no contexto da crize.

Talvez ele não seja tão brilhante como outros que escreveste, mas ninguém esta sempre inspirado cem por cento do tempo.

Abraço.
...
escrito por Rafael Antoniolli, novembro 28, 2008
Anderson,

Agradeço pelo seu comentário. A minha intenção neste artigo foi pautar a questão dos empregos no atual contexto da economia.

* O emprego como indicador mais impactante - no meu entendimento - para medir a crise;
* A injeção de capital dos governos nas empresas como uma maneira de evitar perdas de postos de trabalho;
* Uma fusão como GM/Crysler ou no caso dos bancos no Brasil provavelmente geram demissões como conseqüência (Jack Welch, autor da proposta no artigo da BusinessWeek, foi chamado de "Jack Neutron" no início da sua gestão na G&E por promover tais ações). A sua experiência mostra que deu certo...
* Pra quem é assalariado no mercado, é um momento muito importante para refletir aonde as oportunidades estão ocorrendo. Digo por experiência prórpria Anderson, pois atualmente trabalho em uma instituação que está em processo de fusão e tenho tido esta percepção no meu ambiente de trabalho.

Fico feliz que estejas acompanhando nosso trabalho, e quero te dizer que pra mim é muito gratificante "discutir" um tema que eu tenha escrito. Respeito sua opinião e levarei com certeza em consideração para os próximos artigos.

Abs.
...
escrito por Anderson, novembro 28, 2008
Caro Rafael

Creio que seu artigo está basicamente sem foco. De que você tentou falar afinal? Das fusões e aquisições das empresas? Da inserção de tecnologias poupadoras de mão-de-obra? Do papel do governo nas crises? Dos indicadores utilizados pelos economistas? Sinceramente, pelo que eu entendo do FYI, a proposta é discutir alguns assuntos pertinentes com algum conhecimento mais profundo das coisas, senão, vira "papo de bar".

Não tome meu comentário por mal, estou apenas lhe chamando a atenção para a qualidade do seu texto e espero que possa desenvolver mais esta competência. Gosto do FYI e já venho acompanhando há um bom tempo.

Até mais.

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