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Inflação vs. Aumento da Taxa Selic PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Henrique d'Azevedo Canal   
24-Jun-2008

O contínuo aumento da taxa selic reflete no dia-a-dia do brasileiro que busca no crédito a forma mais rápida de aquisição de bens, moradia e consumo em geral. O Governo procura estancar a inflação através do incremento da taxa de juros, fazendo com que o crédito fique cada vez mais “caro”. Essa medida é muito eficiente para quem acredita em teoria, pois boa parte dos brasileiros não vê outra saída para pagar suas contas sem que seja através do crédito direto ao consumidor.

Vemos uma onda crescente de consumo no Brasil todo, a qual pode ser atribuída pela grande oferta de crédito no mercado. Ao andarmos nas ruas, podemos observar o número de financeiras e bancos oferecendo crédito. Este fator mostra que o brasileiro busca em empréstimos e financiamentos a forma mais fácil de adquirir e aumentar seu patrimônio.

A elevação da Taxa Selic, indiretamente, faz com que os bancos tenham um custo maior para captar o dinheiro que é emprestado na outra ponta para seus clientes. O que não acredito que ocorra a curto prazo, como prevê o Governo, é que os cidadãos deixem de buscar o crédito para pagar suas contas, financiar veículos, comprar bens, etc. Por que não acredito? É simples, o povo está se acostumando a poder comprar mais, ter mais conforto e poder fazer algumas coisas que antes não podia fazer. Será que é tão fácil assim, aumentar taxas e o povo simplesmente deixar de consumir? Se olharmos para dentro de nossas casas, vemos que não. Pelo menos a curto prazo não tem como mudarmos nossos hábitos. Demorou tanto tempo para que pudéssemos começar a comprar com mais facilidade que de uma hora para outra teríamos que mudar tudo de novo.

As entidades que representam as indústrias discordam da posição do Banco Central e dizem que estão apenas querendo “tapar o sol com a peneira”. Isso tudo faz com que o país dê um passo para trás e diminua o crescimento que não era tão acelerado como se previa. Agora é ver para crer e aguardar qual será a nova medida para conter a inflação que parece que voltou e já assusta os nossos bolsos, principalmente nos alimentos.

A melhor coisa a ser feita nesse momento é administrar bem nossas finanças, buscar crédito com taxas mais atrativas, evitar o que é pós-fixado e torcer para que o nossos representantes vejam que não há outra forma do país crescer sem que seja com o crédito. Ao dificultar o crédito, o Governo poderá estagnar o crescimento, diminuir a produção, aumentar as estatísticas de desemprego e retomar o ciclo vicioso que todos conhecemos.


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Comentarios (7)Add Comment
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escrito por Viviane Santos, junho 26, 2008
Henrique.
Muito bem colocado; Entendo ainda que no primeiro momento o individamento aumente,porque já estamos em um rítimo de tomada de crédito e com o aumento das taxas aumentará o individamento,principalmente daqueles que tem menor poder de compra.
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escrito por Rafael, junho 25, 2008
Henrique, tenho a mesma visão sua. Apenas gostaria de acrescentar que os gastos do governo vem contribuíndo, e muito, para o aumento da inflação. A cada ano o governo gasta mais. Os gastos de 2007 foram 12% superiores aos de 2006 e os de 2008 serão 17% maiores que o de 2007. O governo tem que diminuir seus gastos, e já. Em relação ao crescimento, o Brasil vem crescendo, mas não na mesma média dos demais países da sua categoria. O Brasil, com isso, vem perdendo uma ótima fase de crescimento, pois comparado com os demais países o Brasil poderia crescer mais. Como vivemos em uma economia mundial, nossos números não podem ser analisados isoladamente.
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escrito por Caberlon, junho 25, 2008
Henrique, muito legal o espaço e parabéns pela iniciativa!
Sds.
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escrito por Henrique d'Azevedo Canal, junho 24, 2008
Caberlon, obrigado pelo seu comentário. Sempre são válidas opiniões, principalmente as que divergem das nossas. Gostaria apenas de relatar que o meu posicionamento está ligado diretamente aos efeitos de curto prazo. O crédito continua crescendo, porém o brasileiro vai acabar pagando mais. O que gostaria que fosse entendido é que o Governo poderia muito bem refletir e diminuir os seus custos (que aumentam em progressão geométrica). O melhor para a população seria que o Governo reduzisse seus gastos e investisse mais em infra-estrutura. A inflação também tem outros vilões, como petróleo e alimentos. Seu comentário é muito válido. Apenas gostaria de reforçar que minha visão está ligada ao curto prazo como o Governo afirma...
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escrito por Caberlon, junho 24, 2008
Henrique, discorco dos seus argumentos, mas também critico o governo federal.
Os efeitos da política econômica do governo não são de tão simples análise.
A equação da Demanda Agregada (DA= I G C X-M) contempla as segiuntes variáveis: consumo (C), Investimento (I), gastos do governo (G) e (X-M) exportações menos importações.
O aumento da taxa de juros acaba sendo uma boa alternativa usada pelo governo para conter a inflação gerada pela explosão do consumo, no curto prazo. Dessa maneira, realmente se você for observar o comportamento dos consumidores dificilmente vai notar redução nos empréstimos, porém se checar os números poderá notar que eles de fato param de crescer ou crescem a uma velocidade menor.
Como o governo tem uma política ineficaz de Investimentos (longo prazo) e só gera aumentos nos seus gastos, sobra para o Banco Central atacar a variável do Consumo, até porque é a única a reagir no curto prazo contra os avanços da inflação.
Acho também que é essencial o aumento do Investimento público (infra-estrutura) e privado (bens de capital) para que possamos ter um crescimento tanto da demanda agregada mas principalmente da oferta agregada. Isso possibilita o crescimento econômico sem a presença da inflação, porém não são políticas de curto prazo, sendo no mínimo de médio prazo.
Abaixo Lula!
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escrito por André Guimarães, junho 24, 2008
Henrique/Felipe, é consenso que não podemos voltar a conviver com inflação alta no Brasil, demoramos mais de uma década para conquistar e sedimentar a estabilidade de nossa moeda e estamos colhendo esses frutos com crescimento econômico robusto. Por isso, entendo que o BC deve sim atuar firmemente através da ferramenta mais poderosa que ele tem em mãos, os juros. Ainda assim, fica no ar preocupação com relação a capacidade do BC de conter esta crise justamente porque os principais propulsores da inflação são fenômenos mundiais logo não facilmente controláveis, petróleo e os já citados alimentos.
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escrito por Felipe, junho 24, 2008
Henrique concordo com você. Estas medidas podem até conter a inflação, mas os efeitos colaterais devem ser muito bem analisados. O que importa para conter a inflação neste momento é investimento na indústria para aumentar a capacidade do setor produtivo. Além disto, é neste momento que o governo tem que saber conter seus gastos, o que não vêm acontecendo no governo Lula.

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