 A recente notícia da criação do fundo soberano abriu diversos debates sobre a real condição do Brasil de formar ou não esse volume gigantesco de recursos. Entretanto, muita gente deve estar se perguntando o por quê da discussão a respeito de um fundo de dinheiro e ainda mais ele sendo “soberano”!
Didaticamente o fundo soberano é a aplicação de parte das reservas internacionais de um país em ativos com maior relação risco versus retorno. O objetivo é promover a melhor utilização para todo este dinheiro diversificando os investimentos. Para se ter uma idéia, a posição informada pelo Banco Central do Brasil no dia 15 de maio indica que o país tem US$ 197 bilhões em reservas internacionais.
Isto acontece porque ao longo dos últimos anos entrou muitos dólares no Brasil, e uma medida do governo para tentar segurar a alta do real frente a moeda americana foi justamente comprar dólares para assim diminuir a sua oferta. O acúmulo das compras diárias forma a chamada reserva internacional. Para os investidores estrangeiros isto é de certa maneira um bom indicador, pois significa que o Brasil tem um bom fundo de dólares para se proteger de uma eventual crise mundial e assim garantir a estabilidade de sua economia.
Por outro lado, o Brasil tem um custo alto ao comprar a moeda estrangeira, pois a diferença entre a captação em reais e a rentabilidade gerada pelos dólares aplicados em títulos da dívida americana é muito alta. Como o Brasil gasta mais do que arrecada, inevitavelmente terá que se endividar para formar uma reserva de moeda estrangeira ainda maior. Para tornar mais fácil o entendimento do leitor vamos imaginar uma situação semelhante, onde hipoteticamente uma pessoa aplicaria o dinheiro do cheque especial de sua conta corrente na poupança. A diferença entre o juro pago pela poupança e o cobrado pelo saldo devedor do cheque especial pode ser entendida como a situação que o governo brasileiro é forçado a fazer para conter a queda do dólar. Esta despesa obviamente acaba concorrendo com programas sociais do governo, como o bolsa família e outros.
A formação do fundo soberano, em virtude desse descompasso fiscal que o Brasil sofre ao comprar dólares, tem gerado diversas críticas de analistas financeiros. Os cases mais interessantes do mundo dão conta de nações que têm uma situação de caixa equilibrada ou que têm receitas expressivas advindas de exportações – como o petróleo por exemplo. Outra crítica é a intenção de aplicar os dólares exclusivamente em empresas brasileiras no exterior, com o objetivo de financiá-las através do BNDES e assim fomentar a nossa tão famigerada infra-estrutura.
Acho que a iniciativa de formar um fundo soberano é válida. Não podemos nos basear somente na experiência de outros países, pois cada um tem um objetivo distinto se formos pensar naquele que tem na exportação sua principal receita ou no outro que tem efetivamente uma sobra de caixa para tal. Mas se der para diminuir o custo de nossas reservas internacionais e ainda com isso inovar financiando nossas empresas lá fora já é algo a ser no mínimo discutível. Vamos ver aonde isto vai dar...
Posts relacionados:
|