FYI - Informando e Discutindo Negócios: Início
A Lei de Gérson e a Economia Brasileira PDF Imprimir E-mail
(2 votos)
Escrito por Rafael Francisco Antoniolli   
20-Jun-2008

Ano: 1976. Após 32 anos, ainda hoje a célebre propaganda dos cigarros Vila Rica traz muitos ensinamentos a respeito de uma certa “lei” que virou padrão ao definir uma parte do perfil do povo brasileiro. Seguem as palavras do garoto propaganda e ex-jogador de futebol Gérson:

 

“Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também.”

O meu desafio aqui é mostrar para o leitor FYI que a lei de Gérson está muito presente na economia brasileira de hoje. Não falo em fundamentos macroeconômicos ou a respeito do nosso sistema financeiro que está muito a frente de outros países desenvolvidos – estes são temas para outros posts e devem ser exaltados como um importante avanço.

O que quero discutir é que a fartura de liquidez – leia-se dinheiro – e os financiamentos com prazos longos acertaram em cheio aquelas pessoas que há tempos queriam comprar eletrodomésticos, carros, enfim, produtos que passaram a “caber” nos seus bolsos.

Doce ilusão. 99,99999% dos economistas afirmam que dinheiro é feito para se guardar ou preferencialmente investir em coisas que proporcionem um retorno maior no futuro. Os outros 0,00001% ainda estão estudando economia e irão aprender esse fundamento. Brincadeiras à parte, o que chamamos na economia de “taxa de poupança” nada mais é do que indicar se o indivíduo está com dinheiro sobrando ou o contrário – endividado.

Uma lição importante que aprendi no meu estágio de um ano recém completado em um banco foi a seguinte: Taxa e prazo. Não vou aqui aprofundar demais até porque isso tornaria o post muito longo e desinteressante. Mas, vinculando com a idéia da taxa de poupança e da Lei de Gérson, taxas “pequenas” e prazos “longos” dão a falsa idéia de que as prestações de um determinado produto são atrativas e fazem dele até certo ponto “barato” ao consumidor.

Duas coisas que eu acho bastante pertinente para a reflexão do leitor a respeito:

1º: Brasileiro na sua maioria não tem cultura para poupar dinheiro. Venho batendo no tema Educação em outros posts já escritos no FYI porque acredito que está aí a principal causa deste problema. O matemático Jahn Allen Paulos foi o entrevistado das páginas amarelas na revista Veja do dia 18/jun, e citou de maneira sucinta o seu conceito de “analfabetismo numérico”. Segue o trecho – recomendo leitura na íntegra, muito interessante!

“As pessoas carecem de habilidade para pensar em termos de lógica formal, para estimar quantidades e ter um senso de probabilidades e estatística. Muitas vezes, elas não têm sequer uma noção dos números básicos que cercam sua vida – a população do país onde vivem, por exemplo. É isso que chamo de analfabetismo numérico”

2º: A Lei de Gérson. Os maiores beneficiados da queda da taxa de poupança do nosso país provavelmente sejam os bancos e outras instituições financeiras. O meu posicionamento é que parte dessas instituições se aproveita do analfabetismo numérico de muita gente ao oferecer produtos financeiros teoricamente vantajosos para o consumidor. De vantajoso, só na teoria mesmo. Há diversos exemplos, desde a simples venda de um cartão de crédito até cadeias de lojas que mudaram o foco de suas atividades-fim, tornando como principal fonte de receita o financiamento das mercadorias que vendem cobrando taxas de juros que no mínimo são imorais.

Não adianta. Sempre iremos conviver com entidades que irão tirar proveito em cima do desconhecimento de nós cidadãos. Falei com enfoque na economia, mas pode ser em qualquer outro tema pertinente ao interesse da sociedade como um todo. Mas puxando novamente a “brasa” pro meu lado, penso que muita gente já se deu - ou ainda vai se dar - mal nessa onda do crédito fácil iniciada com a queda dos juros verificada até o início deste ano. O que resta discutir é como nos comportaremos diante de um novo cenário – inflação e alta dos juros. Aquelas pessoas que fecharam contratos com taxas atreladas a variação dos juros irão provavelmente “pagar o pato”. Seria esse um subprime tupiniquim?

Veja Gerson e a propaganda do cigarro Vila Rica!

 

 


Posts relacionados:

Comentarios (3)Add Comment
...
escrito por Rafael Antoniolli, junho 21, 2008
Paulo, muito obrigado pela colaboração.

Concordo com você, e acredito que os americanos tem na cultura do consumo um fator muito forte para se manterem sempre endividados - em especial os jovens. Porém, como gosto de dizer, "cada um com seus problemas".

A diferença em relação a nós - na minha opinião - é que os Estados Unidos tem um sistema de educação muito supeior ao nosso, e isso faz a diferença porque o cidadão americano acaba tendo mais condições de crescer profissionalmente que o brasileiro .

E a própria economia deles facilita também neste processo, ora, manter-se endividado pagando juros a 2% a.a. é bem diferente do que a 12,25%!
...
escrito por Paulo Alvim, junho 21, 2008
Muito interessante o texto Rafael. Para agregar a informação que você trouxe, a taxa média de poupança do cidadão americano também é muito baixa, ou seja, lá fora também as pessoas não tem a cultura de poupar dinheiro!
...
escrito por Vinícius Biffignandi, junho 20, 2008
Muito bom o post, Rafa.
Só quem não vai gostar muito é o pessoal das Casas Bahia. A grande Loja de Eletrodomésticos (leia-se Financiadora, hehehehe).
Abraço!

Escreva seu Comentario

busy
 
< Anterior   Seguinte >

 

 

FYI TV

Shift Happens

 

Enquete

Como você conheceu este Blog?
 

Parceiros

Dizi
Web12

 


 

Adicionar aos Favoritos BlogBlogs

Bookmark and Share

Check PageRank

 


Links

Diversos Caminhos
Blog com dicas e sugestões de softwares grátis (Freeware)
Trainee 2010
Para pretende participar de um programa de trainee.
CHMKT
Marketing, cultura, propaganda, tendência e comportamento.
Minha Carreira
Um olhar sobre a geração Y.
Viver Sustentável
Tentando ser verde
Veja OnLine
The Wall Street Journal
Dinheirama
Economia, finanças pessoais e educação financeira.
Reuters

Login






Esqueceu a senha?
Sem conta? Criar Conta!

Newsletter

Cadastre-se aqui para receber as novidades do FYI