| O estágio e a redução da carga horária |
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| Escrito por Fernando Menine | |
| 17-Mar-2009 | |
Nenhuma das alterações efetuadas na lei de estágio repercutiu tanto quanto à redução da carga horária. Recesso, que nada mais é do que férias remuneradas para quem tem um ano ou mais de estágio, tudo bem, agora temos um recesso unificado no Poder Judiciário e a maioria das empresas têm férias coletivas. No entanto, o que tem tirado o sono de muitos empresários e estagiários é a redução da carga horária. Não vejo como salutar tal redução, e após conversar com diversos empresários, sócios de escritórios de advocacia e com os próprios estagiários, verifico que não sou voz única nesta opinião. Qual a finalidade principal do estágio? De acordo com o §2º do art. 1º da Lei 11.788/2008 (lei de estágio) a resposta é a seguinte: “o estágio visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho”. Ora, se o estágio visa ao aprendizado para desenvolver o estudante para a vida cidadã e para o trabalho, qual o lugar mais apropriado para o estudante aprender senão dentro dos futuros locais de trabalho!?! O estágio é a principal oportunidade que tem o estudante em conhecer o mercado de trabalho. É o primeiro contato do estudante com sua futura profissão, com seus sonhos e suas ambições. A redução da carga horária tão-somente distancia o estudante do seu principal foco. O contato diário com a empresa durante oito horas oportunizava ao estudante maior participação dentro da atividade profissional, que é o principal objetivo do estágio. Quanto mais participativo e presente, mais chances terá o estagiário de ser contratado. Não há como participar mais e estar mais presente reduzindo o tempo que o estudante fica dentro da empresa. A redução da carga horária faz com que as atividades de rotina consumam o tempo integral do estudante, reduzindo as possibilidades do estagiário apresentar algo diferenciado, algo que lhe proporcione maiores chances de contratação. Acredito que a solução encontrada para melhorar a qualidade do estágio não é a redução da carga horária, pelo contrário, tal medida retira um ingrediente primordial do estudante em busca de uma oportunidade: a presença na empresa. Os problemas que são verificados nos estágios são outros: trabalhos burocráticos, que não contribuem em nada para o estudante; falta de fiscalização, tanto das instituições de ensino, quanto dos órgãos do Ministério Público do Trabalho; bolsas irrisórias, que lembram mais um trabalho escravo do que uma atividade que visa qualificar o estudante. Porém, a lei está sancionada e não nos resta outra alternativa a não ser nos adequarmos a ela. Espero que os estudantes encontrem uma forma de demonstrar suas qualidades e seu diferencial dentro das empresas neste curto período que estarão vivenciando a rotina de trabalho, pois, caso não consigam, terminarão o período de estágio e amargurarão a fila crescente dos desempregados do Brasil. *Fernando Menine, menbro do escritório Hermann, Menine & Ruschel Advocacia Empresarial Comentarios (4)
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escrito por Marcia, abril 08, 2009 ...
escrito por Marcia, abril 08, 2009
UFPR | 19/10/08 - 09h12
Estágio mais seguro Nova Lei do Estágio assegura direitos e melhora as condições de trabalho dos estudantes “Isso aumentará o número de vagas no mercado”, diz o presidente do Centro de Integração Empresa Escola do Paraná (CIEE – PR), Luiz Sunyê. Outra alteração é que os contratos só podem valer por dois anos. Após esse prazo, a empresa deve efetivar o estagiário ou dispensá-lo. As mudanças são vistas com bons olhos pelos estudantes. “É um ganho, pois as empresas exploram os estagiários como mão-de-obra barata. Quando vamos procurar um emprego, ficamos na mão”, afirma Lediane Filus, estagiária de Jornalismo. Nesse curso, o estágio não é obrigatório e, de acordo com as regras antigas, não precisava de supervisão. ...
escrito por Marcia, abril 08, 2009
Existem instituições como a USP que sempre foram contrárias ao estágio de 8 horas. Lá só são aceitos estagiários de 04 e 06 horas e isso em nada prejudicou os estagiários da instituição. São mais de 1500 estagiários que encontram estágios dentro de suas possibilidades de horário.
Empresas listadas como as melhores para estagiar tem a muito tempo vagas para estagiários de 04 e 06 horas. Será que a intenção dessas empresas megeras era prejudicar seus estagiários? Não me parece... Era só entrar nos sites de busca de estagio, como o Cia de Talentos, por exemplo, antes da lei do estágio, para perceber que as melhores empresas permitiam estágio de 06 horas. Se o estágio integral fosse de fato algo que de fato ajudasse de tal monta os estudantes, na hora da OAB o que teríamos seria situação contrária da vista hoje: os estagiários das faculdades que permitem 08 horas e que o fazem sairiam com melhores condições de aprovação do que aqueles que estagiam 04 ou 06 horas. Não me parece que é isso que hoje ocorre. O estudante da USP além da qualidade do ensino tem a seu favor um tempo maior para dedicar ao estudo enquanto o da faculdade particular mal tem tempo de estudar porque tem que estagiar 08 horas por dia, quando não mais. Na minha opinião o estágio tem que ser parte do aprendizado, mas não pode ocupar mais da metade do tempo de vigilia do estudante. Se os que contratam são contra porque terão por menos horas por dia aquela que é a mão de obra mais barata que lhes é acessível, ao menos assumam que esse é o problema. Agora querer jogar como se a preocupação fosse com o pobrezinho que ao fazer um número menor de horas de um trabalho que raramente reflete o que ele fará depois de formado estaria menos preparado, pelamordedeus... ... escrito por Luciano Pessoa, março 17, 2009
Fernando, concordo contigo quando dizes que existem diversos outros problemas relacionados ao estágio que não a carga horária. Entretanto ainda assim acredito que a carga de 8 horas de estágio fica pesado para quem faz faculdade, o que acontece é que a prioridade passa a ser o trabalho e não o estudo. São poucas as empresas que compreendem a importância de um aluno sair em horário de trabalho (ou melhor, estágio) para estudar para uma prova, ou concluir um trabalho.
Para aprender de maneira consistente o conteúdo de 5 discipllinas, é preciso pelo menos 2 horas por dia de dedicação extra classe, e isto se torna inviável com um estágio de 8 horas. Falo isto pois, durante toda minha faculdade, estagiei por 8 horas, e levei "nas coxas" diversas matérias para as quais gostaria de ter me dedicado mais. Tenho convicção que a experiência profissional ensina tanto quanto a faculdade, mas as duas precisam se complementar de maneira equilibrada, o que não acontecia antes. Parabéns pelo texto. Luciano Escreva seu Comentario
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...Em meio à adaptação à nova legislação, o país se deparou com a crise econômica mundial,... O mercado do estágio também foi afetado. De acordo com a Associação Brasileira de Estágios (Abres), havia 1,1 milhão de estagiários antes da nova lei e esse número caiu para 900 mil, significando uma diminuição de 18%. Março mostra sinais de reaquecimento e contabiliza 87 mil novas oportunidades no país....
Apesar da oferta de novas vagas terem caído de 8 mil, em setembro de 2009, para 3.500 em março, houve uma retomada gradual do setor.
A nova lei aumentou os benefícios aos estudantes... As empresas também tiveram vantagens, com um instrumento jurídico mais claro. ..
O Nube acredita que, passada a crise, o mercado volte a contratar, pois a nova legislação trouxe mais segurança jurídica para as empresas. A fase de adaptação está no fim e as novas regras já foram assimiladas.