Aos - ainda - estagiários, peço uma atenção especial neste post. Digo isso porque acredito ser um dos primeiros casos a vivenciar a situação de ter a carga horária de trabalho reduzida em função da nova lei dos estágios. O meu papel aqui é tentar ser um advogado do diabo de mim mesmo, trazendo aspectos tanto positivos como negativos do que tá acontecendo agora na vida profissional dos jovens.
To com 23 anos no momento, sendo que em janeiro faço aniversário. É engraçado, mas as pessoas brincam muito com quem faz 24 anos por causa do cabalístico jogo do bixo. Entretanto, a preocupação verdadeira - à parte das brincadeiras - de quem chega nessa idade é normalmente com relação ao seu próprio rumo profissional.
Ansiedade, dúvida, hiperatividade, pressão, motivação, desânimo. Enfim, uma época onde os jovens finalmente começam a ter a noção de como a vida profissional se apresenta e os leões de cada dia aparecem na arena para nós, gladiadores, matarmos um a um.
Quando recebi a notícia vinda do RH do banco onde eu trabalho dizendo que na renovação do estágio eu teria reduzida as minhas horas/dia, a primeira sensação foi de impotência diante da situação. Num momento onde o "gás" tá sendo dado, adicionando nessa receita feedbacks positivos + novas e desafiantes demandas fica simples e certo que o resultado esperado é um bolo delicioso e quentinho saído do forno. Mas o forno parece ter estragado!
Na volta pra casa fiquei pensando, "poxa, mas quantos e quantos não devem tar na mesma que eu!"- com sangue no olho e cheio de vontade de crescer no seu ambiente corporativo! Mas a palavrinha chave que o meu ego Al Pacino de ser cutucou foi essa aí , "Ambiente Corporativo".

O projeto de lei 993/07, proposto pela deputada Manuela D'ávila e sancionado durante as eleições - fato este que ajudou muito ela no meu entendimento -, é direcionado para um universo de "apenas" 4,7 milhões de empresas com cadastros ativos na receita federal. O dado é do IBGE e foi divulgado em 2003. Acredito que passados 5 anos esse número seja bem maior, levando-se em conta que para uma economia em forte expansão o surgimento de empresas é no mínimo proporcional!
Se a maré tá boa e a demanda puxa pra cima, quase todo mundo acaba fazendo negócio. Nesse ponto entra a questão que eu sou obrigado a analisar e contrapor com a minha "impotência" citada para os Srs. Infelizmente a maioria dos empreendedores no Brasil não tá nem aí se o estagiário trabalha 8, 10 ou mesmo às vezes 12 horas/dia ganhando 400 ou 500 "pila" no fim do mês. Se a maioria tá "aí", entra a questão tributária que sufoca e força a maioria a ficar "nem aí" novamente. Porém, parece-me claro que em grande parte dos casos o que falta mesmo é gestão dos profissionais com os estagiários. Cansei de ler notícias relacionadas com a exploração dos jovens no trabalho.
Agora, se o governo vai ter capacidade para fiscalizar o contingente enorme de empresas que praticam tais ações exploratórias...parece-me muito difícil de acreditar.
Determinada pelo ambiente corporativo, finalmente os dois lados da moeda aparecem:
1. "Cara" para aqueles que como eu identificaram uma ameaça no mercado em função da diminuição de horas e consequentemente da renda;
2. "Coroa" para quem era explorado no trabalho e não perfazia o aprendizado que é o objetivo de todo o estágio.
Prefiro pensar positivo. Quem sabe a ameaça não vira uma oportunidade!? Se é verdade que "gente boa sempre tem lugar", talvez tenha chegado a minha chance! Torçam por mim! ;)
Mas vamos lá, a luta continua...